PMDB usa Jogos como vitrine no Rio

Partido se une em torno de Eduardo Paes, durante visita a obras da Olímpiada, em busca de unidade e de alavancar projeto presidencial

ANTONIO PITA / RIO , O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2015 | 02h02

Em contraste com a fragilidade e o isolamento da presidente Dilma Rousseff na última semana, o PMDB aproveitou ontem a visita de uma comitiva com 30 deputados federais ao Rio para demonstrar unidade e reforçar sua importância para a sustentação política do governo.

Os parlamentares visitaram obras e exaltaram as "realizações" do prefeito Eduardo Paes. O objetivo era mostrar um legado próprio como base de uma candidatura nas eleições presidenciais de 2018, segundo o articulador do encontro, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

À noite, o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) se reuniu com a bancada federal e lideranças locais da legenda na residência oficial do prefeito para afinar o discurso do partido "longe do turbilhão de Brasília", como definiu o deputado Leonardo Picciani, líder do PMDB na Câmara, antes do evento. Até as 23h, nenhum dos demais convidados havia falado com a imprensa.

O tom oficial do encontro destacou a "inspiração" e "confiança" no vice-presidente no "momento crucial" para o País. Mas também houve espaço para ressalvas sobre seu desgaste como articulador político do governo e até para cenários em que Dilma é afastada da Presidência.

Um dos parlamentares presentes, que pediu anonimato, falou que o "abismo está logo ali" e acrescentou que se a presidente não "tomar cuidado, cai" ao ser questionado sobre a gravidade da crise política e os possíveis desdobramentos das investigações sobre irregularidades no primeiro mandato da presidente, no Tribunal de Contas da União (TCU), e na campanha à reeleição, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "A sustentação que o PMDB dá é ao País, e por isso Dilma tem o nosso apoio", afirmou outro deputado.

Em tom formal, o partido uniu o discurso em torno da "responsabilidade" com o País e de apoio ao "ritmo de trabalho" e "seriedade" de Cunha. "Hoje, no Congresso, qualquer tentativa de tirar a presidente não teria 150 votos. Quase 90% da bancada tem responsabilidade em agir dentro da lei", disse o deputado Mauro Pereira (RS).

A avaliação entre os parlamentares é de que até agosto haverá definição sobre a crise política no governo. Há manifestações marcadas por movimentos que pedem a saída da presidente, e o TCU irá julgar o processo sobre as pedaladas fiscais do governo. "O povo ir à rua é a chave de ignição para o Congresso. Caso haja qualquer fato jurídico que descredencie a titularidade do gestor, o Poder Legislativo não pode passar a mão na cabeça. Hoje, seria golpe", completou Pereira.

Outros parlamentares confirmaram conversas sobre os cenários em caso de saída da presidente. Na noite de quinta-feira, em jantar com o ministro Edinho Araújo, os deputados ouviram dele pedido para garantir "respaldo político" ao governo.

O ministro ouviu críticas à falta de articulação política no Congresso e de sinais positivos para a sociedade e empresários de que o País é "viável e não vai quebrar". "Existem dois caminhos para a presidente", comentou o deputado Darcísio Perondi. "Ou ela termina o mandato sangrando, como o (o ex-presidente José) Sarney. Ele pelo menos sabia fazer política. Ou é constitucionalmente afastada e poderia ter um mandato tampão do Temer. As instituições estão investigando e devem ser respeitadas. Todos estão buscando a 'Elba'", disse Perondi, em alusão ao caso que culminou no impeachment do ex-presidente Fernando Collor.

Autoria. Presidente da Câmara e coanfitrião do encontro, Cunha tentou minimizar o caráter político do encontro com a indicação de que a proposta era de aproximar a bancada do trabalho realizado por Paes. "A visita é para mostrar aos deputados tudo o que o partido tem feito aqui pelo Rio", afirmou. Após percorrer parte das arenas do Parque Olímpico, Cunha opinou que o evento e as obras "estão mudando para melhor" a cidade.

Citado como forte candidato à Presidência pelo partido, Paes evitou acompanhar a comitiva. Em seu lugar, estava seu secretário mais próximo, Pedro Paulo, cotado para a sucessão municipal em 2016.

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