André Dusek/AE
André Dusek/AE

PMDB usa CPI para reivindicar diretoria de petistas na Petrobras

Peemedebistas querem controlar cargo-chave na exploração das reservas de petróleo na camada pré-sal

Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo,

21 Maio 2009 | 07h41

De olho em diretorias da Petrobras, o PMDB resolveu esperar a volta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está em viagem ao exterior, e deixar para a semana que vem a indicação dos nomes dos senadores que integrarão a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas irregularidades na estatal e na Agência Nacional do Petróleo (ANP).

 

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O partido reivindica a diretoria de Exploração e Produção da Petrobrás, ocupada pelo petista Guilherme Estrella. Quer levar para o posto, conhecido como "diretoria do pré-sal", o atual diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. Identificado como da cota do PP, Costa passaria a contar com o aval do PMDB, e a prestar contas para o partido. Com a diretoria de abastecimento vaga, caberia ainda ao PMDB indicar um novo nome para o cargo.

 

"Tenho uma bancada de 20 senadores e todos querem participar da CPI", resumiu nesta quarta-feira, 20, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). "Nada será definido antes de terça-feira (26)". A composição da CPI será definida depois que a cúpula do PMDB se reunir com o presidente Lula, o que deve ocorrer no início da próxima semana. "O presidente Lula está viajando, mas quer que a Petrobrás não seja atingida. Ele quer discutir o assunto em uma reunião", afirmou ontem o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR).

 

Líderes

 

Além da pressão por cargos na Petrobras, o PMDB também decidiu adiar a indicação dos nomes para a CPI pois não consegue se entender com o PT do líder Aloizio Mercadante (SP). Os peemedebistas estão irritados com Mercadante, a quem acusam de conversar mais com a oposição, em especial os tucanos, do que com os partidos da base do governo.

 

O PMDB é contra a proposta de compor a CPI apenas com líderes partidários, pois avalia que essa estratégia levará o debate da CPI para o plenário e colocará em risco as votações de interesse do governo, em especial as medidas contra a crise financeira internacional.

 

Foi o que ocorreu nesta quarta-feira, com a paralisação do plenário do Senado, que colocou em pauta apenas indicações de embaixadores. Sob o pretexto da mobilização contra a CPI que será organizada no Rio de Janeiro nesta quinta-feira, 20, os tucanos entraram em obstrução para impedir votações no plenário.

 

A cúpula do PMDB ressalta que o interlocutor do partido sempre foi o presidente Lula. Observa ainda que a nova líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC), poderá desempenhar esse papel, pois tem bom trânsito junto a Renan Calheiros. Além do PMDB, os próprios partidos que integram o bloco de apoio ao governo reclamam das dificuldades de negociação com o PT. É o caso, por exemplo, do senador Inácio Arruda (PC do B-CE), que já avisou sua intenção de participar da CPI. O inquérito também investigará a ANP, hoje nas mãos do comunista Haroldo Lima.

 

Além das desavenças na base aliada, os partidos de oposição também ajudaram a por um freio nas indicações para a CPI da Petrobrás. Os tucanos estão preocupados com o discurso adotado pelo governo de que a oposição usará a CPI para enfraquecer a estatal, com o objetivo de privatizá-la.

 

Para protelar a instalação da CPI, os tucanos reivindicaram mais um posto na comissão de inquérito, sob o argumento de que cabe à oposição quatro das 11 vagas, e não três, como havia sido definido.

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