PMDB suspende articulações para sucessão de Renan Calheiros

Líder diz temer que o partido fique fragilizado e sujeito a uma guerra de dossiês envolvendo peemedebistas

Cida Fontes, do Estadão

30 Outubro 2007 | 18h54

O PMDB suspendeu nesta terça-feira, 30,  temporariamente as articulações em torno da sucessão do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) ao cargo de presidente da Casa. Em reunião com a bancada, o líder do partido, senador Valdir Raupp (RO), fez um apelo aos colegas pedindo que adiassem a discussão do assunto enquanto Renan estiver licenciado. O temor do líder é de que o partido fique fragilizado com a exposição de nomes e sujeito a uma guerra de dossiês envolvendo peemedebistas.   Veja também: Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan   Relator do 3º caso Renan chama de 'canalha' autor de 'dossiê' Com licença médica, Renan se afasta do Senado por 10 dias   "Daqui a pouco ficamos sem nomes", advertiu Raupp à bancada, manifestando a preocupação de que os adversários iniciem uma campanha para "queimar" possíveis candidatos ao cargo de Renan. Apesar dos apelos do líder, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) anunciou à bancada a intenção de disputar a vaga de Renan Calheiros caso ele decida renunciar da presidência. Renan está licenciado do comando do Senado. Mas a expectativa é de que, na próxima semana, ele retorne ao Senado, assim que terminar sua licença médica.   Mesmo fora do Senado, Renan tem telefonado aos senadores do PMDB e da oposição. Ainda na reunião da bancada, Valdir Raupp afirmou também que abrir agora a sucessão de Renan poderá tumultuar o clima político e dificultar a votação da emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF).   O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), pediu o apoio dos colegas à renovação do chamado imposto do cheque, e informou aos peemedebistas sobre a proposta do governo de reduzir a alíquota já no próximo ano de 0,38% para 0,36% e ainda aumentar os recursos da saúde via a regulamentação da emenda 29 que está na Ordem do Dia da Câmara.   O surgimento de dossiês contra senadores preocupa o petista Tião Viana. Ele disse que essas especulações precisam ter um fim e disse que vai acionar a Polícia Federal e a Corregedoria Geral do Senado para responder às especulações.   "Esses dossiês têm que ser combatidos e não estão sustentados por fatos. Não estamos no regime de exceção e não se pode admitir isso", afirmou o senador, depois do discurso do senador Jefferson Peres (PDT-AM) que subiu à tribuna para afirmar que está sendo vitima de dossiê e chantagem. "Não tenho nada escondido, nenhum esqueleto no armário", disse Peres, que pediu providências ao Senado.

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