PMDB se reúne para decidir data da reeleição de Temer

Oposição interna quer adiar data da convenção que reelegerá o deputado na presidência do partido

Christiane Samarco, da Agência Estado,

26 de janeiro de 2010 | 12h48

A Executiva Nacional do PMDB deverá decidir nesta quarta-feira, 27, em Brasília, se adia ou não a convenção partidária que reelegerá o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), para o cargo de presidente da legenda. Como o mandato de Temer na presidência do PMDB termina em 10 de março, a convenção havia sido prevista, inicialmente, para o dia 6 de março, mas, na semana passada, a cúpula do partido decidiu antecipar a reunião em um mês. Agora, no entanto, o próprio Temer passou a defender a manutenção da data inicial.

 

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Ainda nesta terça-feira, 26, à noite, as lideranças do PMDB vão realizar uma reunião informal para buscar um consenso em torno da data da convenção. Esse encontro entre os líderes da sigla, que foi confirmado pela assessoria de Temer, servirá para preparar o terreno para a Executiva Nacional que acontece na quarta-feira.

 

Temer informou há pouco à Agência Estado que está ponderando, dentro do partido, em favor do adiamento, depois de ter recebido um apelo nesse sentido do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira. Ligado aos dissidentes que falam em lançar candidatura própria ao Planalto e já apresentaram o nome do governador do Paraná, Roberto Requião, como alternativa do PMDB na corrida presidencial, Luiz Henrique disse a Temer que seu grupo não aceita a data de 6 de fevereiro para a convenção. O grupo ameaçou entrar na Justiça contra a antecipação, o que Temer quer evitar.

 

O deputado começou a semana tentando convencer a cúpula governista defensora do apoio à candidatura presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), de que o adiamento é a melhor saída para evitar conflitos internos desnecessários. O que o deixou mais desconfortável foi a ponderação de Luiz Henrique - e também de outros correligionários alinhados com a candidatura Dilma - de que a antecipação passaria a ideia de golpe. Foi diante disso que Temer pediu ao líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), que conversasse com os companheiros. "É melhor deixar para 6 de março, que ninguém pode dizer nada. Não estou disposto a enfrentar argumento do golpe e do tapetão", ponderou o deputado a Renan.

 

Mas fazer a convenção em março também gera inconveniências políticas. A principal delas é não reforçar o próprio Temer com um novo mandato de presidente antes da reunião do PT, que anunciará a candidatura de Dilma Rousseff no dia 18 de fevereiro. Para os governistas do PMDB, que hoje são maioria folgada no partido, Temer é o candidato de consenso para ser candidato a vice na chapa presidencial petista. O problema é que as resistências ao nome dele dentro do PT crescem a cada dia, e o PMDB quer se impor diante do aliado, mostrando que a escolha do vice é do partido, e não dos petistas.

 

Com informações de Bruno Siffredi, do estadao.com.br

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