PMDB rompe aliança com Arruda e entrega cargos

Partido ocupava quatro cargos no primeiro escalão do Executivo do Distrito Federal

Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo,

07 de dezembro de 2009 | 22h33

Por unanimidade, o diretório regional do PMDB decidiu nesta segunda-feira, 7, romper a aliança com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e entregar os quatro cargos que ocupa no primeiro escalão do Executivo. A saída do partido aumenta ainda mais o isolamento de Arruda, alvo de pedidos de impeachment na Câmara Distrital, sob a acusação de comandar o "mensalão do DEM.

 

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Por causa das denúncias, já haviam abandonado a aliança PSB, PDT, PPS, PSDB e PV. A decisão do PMDB deixa vagos os cargos de chefe de gabinete do governador; a presidência da Novacap, estatal que cuida das obras públicas; a chefia da Administração do Plano Piloto, que comanda a principal região administrativa do DF; e a diretoria da Companhia de Desenvolvimento do Planalto (Codeplan), responsável pelos gastos de custeio da máquina.

 

"Os fatos são muito graves e, de nossa parte, cessou o compromisso de apoiamento político ao governador", disse o presidente do diretório, deputado federal Tadeu Filippelli. Ele afirmou que o afastamento "foi profundamente debatido" e adotado de forma consensual. "Ficamos com o coração em paz por traduzir um sentimento do partido."

 

Filippelli não quis opinar se Arruda deve renunciar ao cargo imediatamente para evitar o desgaste e abrir caminho para uma solução política entre as forças locais.

 

"Ele é do DEM e nós respondemos pelos atos do PMDB", afirmou, referindo-se aos quadros do próprio partido flagrados em fitas de vídeo recebendo ou negociando dinheiro.

 

Entre estes, estão a líder do governo na Câmara Legislativa, deputada Eurides Brito, que foi flagrada colocando dinheiro de propina em uma bolsa e o chefe de gabinete, Fábio Simão, citado pela PF como um dos principais personagens do esquema.

 

O dirigente avisou que não vai prejulgar ninguém, antes da conclusão do inquérito, mas mandou um alerta aos que tentarem resistir à decisão do partido. "Nós não recomendamos, nós determinamos o afastamento imediato de todos os quadros do PMDB no governo."

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