PMDB refuta polarização entre PT e PSDB na disputa eleitoral em SP

Presidente da sigla em São Paulo, deputado estadual Baleia Rossi, discorda da avaliação tucana sobre cenário político na capital e reafirma que aliança com Haddad está descartada

Gustavo Porto e Gustavo Uribe, da Agência Estado

15 de dezembro de 2011 | 07h15

O presidente do PMDB de São Paulo, deputado estadual Baleia Rossi, refutou nessa quarta-feira, 14, avaliação feita terça-feira pelo ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) de que haverá uma polarização entre tucanos e petistas na campanha à sucessão à Prefeitura de São Paulo, no ano que vem. O dirigente peemedebista garantiu que a candidatura do deputado federal Gabriel Chalita (PMDB-SP) é "irreversível" e negou a hipótese de uma dobradinha entre PMDB e PT já no primeiro turno da disputa municipal, em um eventual acordo que tem como principal articulador o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"A candidatura do Chalita em São Paulo é irreversível, porque não foi uma construção de última hora", afirmou. "Eu respeito muito o ex-governador José Serra, mas acho que o Gabriel Chalita tem todas as condições de disputar com ele ou com qualquer outro", completou. Chalita e Lula devem se reunir em janeiro de 2012, a pedido do ex-presidente, para discutir o cenário eleitoral em São Paulo.

Em entrevista exclusiva à Agência Estado, o dirigente do PMDB mostrou confiança na ida de Gabriel Chalita ao segundo turno da disputa municipal e considerou José Serra como um dos adversários do deputado federal, apesar de o ex-governador negar a pessoas próximas a intenção de participar na corrida eleitoral. "Apesar de ele dizer que não é candidato à Prefeitura de São Paulo, eu acho que ele deve estar pensando no assunto", afirmou.

"A campanha de 2012 em São Paulo terá três candidatos fortes: do PSDB, do PT e do PMDB, e eu acredito que o PMDB vá para o segundo turno", acrescentou. Rossi admitiu que Chalita é pouco conhecido da população paulistana, o que, segundo ele, foi apontado em uma pesquisa qualitativa feita pelo próprio partido. "A pesquisa mostrou que 90% da população de São Paulo não conhece o Chalita. Na faixa dos 10% em que ele é conhecido, tem um bom desempenho", afirmou o presidente do PMDB.

Para o dirigente peemedebista, quando Chalita for conhecido por meio de sua participação nos palanques eletrônicos, uma vez que o PMDB detém o segundo maior tempo no horário eleitoral gratuito em São Paulo, esse desconhecimento deverá ser revertido. "Hoje, você não consegue falar com milhões e milhões de eleitores em São Paulo sem que tenha tempo de televisão e o Chalita fará uma campanha propositiva, passará a imagem do bom gestor, de uma pessoa respeitada e voltada à educação", explicou.

Rossi afirmou que o PMDB pretende lançar, pelo menos, 400 candidatos a prefeito no Estado de São Paulo em 2012, eleger 150 deles e assim ter força para bancar a candidatura do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, ao governo paulista em 2014. "O partido, para pleitear a sucessão ao Palácio dos Bandeirantes, terá de sair fortalecido em 2012 nas principais cidades de São Paulo". Rossi avalia que o PMDB de São Paulo conseguiu manter a unidade no Estado, quase um ano após a morte do ex-governador Orestes Quércia, ocorrida no dia 24 de dezembro do ano passado.

Segundo ele, foram feitas 25 mil filiações este ano e o partido está representado nos 645 municípios paulistas com diretórios municipais ou comissões provisórias. Prova dessa união, segundo ele, é a unificação das várias correntes na chapa única do Diretório Estadual do PMDB em São Paulo, a qual será referendada no próximo sábado para mais um mandato à frente do partido.

O presidente do PMDB paulista citou ainda Orestes Quércia para revelar que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) descumpriu o acordo, firmado em 2010, para dar duas secretarias aos peemedebistas caso fosse eleito, o que não ocorreu. "Quando o ex-governador Quércia definiu o apoio à candidatura de Geraldo Alckmin, ele conversou com o governador que, em caso de vitória, o PMDB teria duas secretarias", disse. "Não houve o cumprimento do acordo, logicamente", completou Rossi.

Rossi disse ainda que mesmo assim o PMDB manteve o apoio a Alckmin (na Assembleia Legislativa) em 2011 e que não pleiteará cargos no governo de São Paulo, principalmente em 2012, quando ambos serão adversários na campanha à Prefeitura paulistana. "Não é a nossa prioridade hoje ocupar qualquer cargo no governo estadual", concluiu.

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