PMDB reelege Temer como presidente em votação recorde

O PMDB reelegeu com votação recorde o deputado Michel Temer (SP) presidente do partido neste domingo, em uma convenção nacional sem disputa, marcada pela defesa da candidatura própria à Presidência da República em 2010, de preferência com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Temer assumiu seu terceiro mandato no embalo das declarações feitas na véspera pelo ex-ministro José Dirceu (PT), admitindo que o candidato da coalizão governista à sucessão de Lula poderá não ser um petista. "Minha tarefa é preparar o PMDB para uma candidatura presidencial alicerçada pelos partidos aliados, como representante da coalizão", disse Temer, consagrado vitorioso em chapa única, com 598 dos 602 votos depositados nas urnas. Dois convencionais anularam voto e dois outros votaram em branco. "Fulanizar agora é um equívoco, mas que nós temos que ter candidato a presidente não há a menor dúvida", completou o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), ao destacar que o candidato deverá ser fruto da coesão partidária, "e não de uma disputa interna, como ocorreu no passado recente", em uma referência velada ao ex-governador Anthony Garotinho. MinistérioFora dos microfones, no entanto, a preocupação era outra. Inconformados com a possibilidade de o PMDB da Câmara ficar apenas com um ministro - o comando da Integração Nacional para o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) já é dado como certo - deputados dos vários Estados já cobravam de Temer que leve nesta segunda a Lula a reivindicação da bancada pelo segundo ministério. "O presidente tem que entender que, se não for assim, ele não terá sossego na Câmara", resumiu um dos mais experientes representantes da bancada de 92 deputados.A parceria entre PMDB e PT foi reforçada neste domingo pela presença do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que fez questão de prestigiar Temer com um discurso aos convencionais. "Acredito que esta convenção dará sangue novo ao partido, em uma nova fase do País. Viva o PMDB!", disse o petista, sob os aplausos de cerca de 1.500 peemedebistas que, segundo os organizadores, ocuparam o auditório do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. CâmaraAo lembrar que o PMDB abrira mão de disputar a presidência da Câmara a seu favor, Chinaglia elogiou "a visão estratégica do partido" e sua capacidade de fazer alianças. "Pessoalmente, eu só tenho a agradecer à bancada do PMDB. Vamos honrar nossos compromissos", completou, referindo-se ao acordo pelo qual o PT deverá apoiar um peemedebista para suceder Chinaglia daqui a dois anos.As manifestações dos petistas agradaram o PMDB. "A fala de Dirceu e o discurso de Chinaglia são fatos importantes para solidificar a relação entre os dois partidos, e quebrar desconfianças na coalizão política e administrativa", avaliou Geddel. Saudado por todos como "nosso ministro" depois de o próprio presidente Lula ter lhe acenado com o ministério da Integração Nacional na semana passada, Geddel foi o mais assediado pelos convencionais munidos de máquinas fotográficas. Ele avalia que falar em 2010 agora é "puro exercício de futurologia", mas classifica a declaração de Dirceu como "um gesto de boa vontade que consolida a coalizão, por mais precoce que seja".Ameaça de boicoteApesar da ameaça de boicote da bancada de senadores, tendo à frente o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Temer foi reeleito com 76% dos 782 votos que os peemedebistas somam na convenção nacional, já que alguns têm até quatro votos. Depois da renúncia do adversário Nelson Jobim, ficou mais fácil costurar a unidade. Os sete governadores do partido, que em sua maioria havia apoiado a candidatura do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, acabou decidindo participar da chapa de Temer.Segundo um governador peemedebista, prevaleceu no grupo o entendimento de que a briga entre as cúpulas do partido na Câmara e no Senado é alimentada pela disputa por cargos.Nas várias conversas de bastidor entre os governadores, a avaliação geral foi de que nenhum dos dois grupos os consultava quando o assunto era a oferta de cargos. Diante deste fato, conclui um deles, não havia porque tomar partido na contenda.

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