PMDB rebate com cartazes crítica de jornal ao governo do Paraná

O PMDB do Paraná, reproduzindo críticas feitas por seu filiado, o governador Roberto Requião, mandou colocar cerca de 30 cartazes em Curitiba e no litoral paranaense acusando o jornal Gazeta do Povo, o de maior circulação no Estado, de ser mentiroso. Por considerar falsas algumas informações do jornal sobre investimentos do governo no litoral, Requião criticou duramente a Gazeta no dia 31 de janeiro, durante reunião do secretariado.Com custo estimado em R$ 10 mil, a campanha distribuiu outdoors com a inscrição: "PMDB adverte: Gazeta do Povo mente". A reportagem que levou Requião à indignação falava que o litoral paranaense tinha a maior proporção de pontos impróprios para banho em relação ao total de pontos monitorados nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. E afirmava que o investimento em saneamento não tinha sido o suficiente."Os dados são absolutamente inverídicos", rebateu o assessor de imprensa do governo, Benedito Pires. Segundo ele, a iniciativa de colocar os cartazes foi do PMDB, embora o mote tivesse sido dado pelo próprio Requião na reunião. De acordo com o governo, nos últimos três anos, foram investidos R$ 158 milhões em saneamento no litoral. "Não queremos que a Gazeta do Povo seja um Diário Oficial, mas que reproduza o que é verdade", disse Pires. De acordo com o assessor, em reportagem subseqüente, a própria Gazeta constatou, por pesquisa, que 77,4% dos entrevistados mostraram-se satisfeitos com o litoral paranaense como local de férias.O diretor de redação da Gazeta, Nelson Souza, disse que o jornal baseou-se em informações do próprio Instituto Ambiental do Paraná (IAP) sobre balneabilidade do litoral para elaborar a reportagem. "A temporada começou com problemas sérios e apenas demos toda divulgação para os boletins feitos pelo IAP", alegou. "Não vejo por onde essas informações seriam falsas." Segundo ele, o Departamento Jurídico do jornal ainda está examinando o caso para ver se cabe alguma ação.Para Souza, a campanha do governo do Estado não é especificamente contra a Gazeta do Povo, mas contra a imprensa em geral. "Basta uma notícia que desagrada o governo para que haja uma reação como essa. Aconteceu conosco, aconteceu com vocês (Estado), com a Folha de S. Paulo, com a revista Exame, e vai continuar acontecendo, porque não se tolera o contraditório." O secretário-geral do PMDB estadual, Luiz Cláudio Romanelli, disse que a decisão de colocar os cartazes - que seriam mais barato que anúncios nos jornais - foi da comissão executiva do partido. Segundo ele, não se está contestando a liberdade de imprensa e nem questionando o direito do jornal ter uma linha editorial própria. "O que questionamos é que crie artificialmente embaraços a determinadas políticas públicas".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.