PMDB reage e vai entrar com ação contra Virgílio no conselho

Ação é resposta às representações do PSDB contra Sarney e quer investigar tucano por empréstimo de Agaciel

Carol Pires, da Agência Estado,

30 de julho de 2009 | 11h49

O PMDB apresentará ao Conselho de Ética, entre segunda e terça-feira da próxima semana, uma representação por quebra de decoro parlamentar contra o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). A ação será uma resposta às representações que os tucanos registraram contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

 

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O Conselho de Ética recebeu ao todo 11 ações contra Sarney. São cinco representações (duas do PSOL e três do PSDB) e seis denúncias - quatro do líder tucano Arthur Virgílio e duas assinadas em conjunto por Virgílio e pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Para o líder peemedebista Renan Calheiros (AL), esta quantidade de ações contra Sarney "é a marcha da insensatez".

 

À Agência Estado, Renan Calheiros disse que a decisão de apresentar representação contra o líder tucano foi tomada "partidariamente". "O PMDB disse que, se o PSDB entrasse com representações contra o presidente Sarney, existiria um comportamento recíproco", justificou o senador. "Uma coisa era o Arthur Virgílio apresentar denúncias e outra coisa é uma representação encampada pelo partido", disse.

 

Renan explicou que técnicos do PMDB ainda estão avaliando se o partido apresentará uma única representação contra o líder do PSDB, ou se registrará três documentos em separado. As ações seriam embasadas em reportagem da revista IstoÉ que revelou que Arthur Virgílio teria pego, em 2003, US$ 10 mil emprestado do ex-diretor do Senado Agaciel Maia quando teve problemas com seu cartão de crédito em uma viagem particular a Paris.

 

Segundo a revista, o senador tucano teria ainda extrapolado o limite permitido pelo Senado para usar em tratamentos de saúde, quando a mãe dele ficou adoentada. Também pesa contra o senador a revelação de que um funcionário de seu gabinete passou 18 meses no exterior sendo mantido lá às custas do Senado. Por causa deste funcionário, Virgílio devolverá R$ 210.696,58 aos cofres públicos, valor referente à soma de salários e recolhimento de impostos que saíram das contas da Casa para custear as despesas com o assessor na folha de pagamento.

 

Questionado se a retaliação contra o líder tucano não aumentaria a crise no Senado, Renan garantiu que o PMDB "sempre tentou formatar uma solução para a crise". "A representação não é uma ação, é uma consequência", disse. "Conversei com o Sérgio Guerra (presidente do PSDB), e com o Arthur Virgílio e disse que, com essa atitude de radicalização, o PMDB faria tratamento igual", concluiu.

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