PMDB reage e recomenda a críticos que deixem partido

Em defesa de Sarney, nota informa que descontentes podem se desfiliar 'sem risco de perder o mandato'

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo,

03 de agosto de 2009 | 04h33

Enfraquecido pela série de denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (AP), o PMDB reagiu ontem com ataques aos dissidentes e um recado para que deixem o partido "o quanto antes". Em nota divulgada no site oficial da legenda, sem citar nomes, o comando nacional prometeu não cobrar na Justiça os mandatos dos parlamentares rebeldes, sob alegação de infidelidade partidária, se eles saírem do PMDB.

 

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Dois dos principais críticos de Sarney são os senadores peemedebistas Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS). Ambos defendem que o presidente do Senado se afaste do cargo e consideram que a situação se agravou depois da censura imposta ao Estado pelo desembargador Dácio Vieira, do Distrito Federal. O jornal foi proibido de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica da Polícia Federal, atendendo a pedido do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.

 

Assinada pelo presidente licenciado do PMDB, Michel Temer (SP) - presidente da Câmara -, e sua substituta, a deputada Íris de Araújo (GO), a nota não faz referência à situação de Sarney nem fala diretamente de Jarbas e Simon. Mas Temer e Íris são duros com os dissidentes. "O PMDB acata com humildade o descontentamento de alguns poucos integrantes que perderam espaço político e apostaram na fama efêmera oriunda de acusações vazias. E faz isso porque acredita piamente na democracia. A estes, o recado: podem deixar a legenda o quanto antes sem risco algum de perder o mandato. Ganharão eles, porque deixarão de pertencer ao partido do qual falam tão mal, e ganhará o PMDB, por tornar-se ainda mais coeso e musculoso", dizem os dirigentes.

 

A nota veiculada na internet é uma versão ampliada de carta enviada à revista Veja desta semana, em resposta a reportagem publicada na edição passada. O presidente licenciado e a interina rejeitam a pecha de fisiologismo, dizem que o partido faz "alianças programáticas" e que "os cargos públicos são apenas consequência de ideais convergentes".

 

AFRONTA

 

Pedro Simon considerou a nota "uma afronta" à história do PMDB. "Essa gente é muito petulante", disse. "Não estou ferindo o programa partidário quando peço dignidade e honradez ao partido", reagiu ontem o senador gaúcho.

 

Ele também protestou contra a condição de Temer de presidente licenciado. "Esse cidadão deveria ter renunciado à presidência do partido (quando assumiu o comando da Câmara)", afirmou.

 

Em entrevista ao Estado na semana passada, Jarbas Vasconcelos disse que tem sido cobrado pelos eleitores. "As pessoas perguntam por que eu fico no PMDB, alguns dizem que o partido está podre. Eu explico que meu PMDB não é esse, mas que não vejo um novo quadro partidário" contou Jarbas.

 

Jarbas acredita que "o desconforto dentro do partido (com as denúncias contra Sarney e as manobras para defendê-lo) é de uma parcela mínima", pois "noventa por cento das pessoas estão na órbita do governo Lula, o que não quer dizer que não vá haver traição (a Sarney)".

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