PMDB reage a divulgação de denúncias

A cúpula do PMDB reagiu rápido à divulgação de gravações telefônicas neste fim de semana, em que parlamentares baianos sugerem que o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA), teria comprado filiações de políticos para entrar no partido. O PMDB dará um tratamento político às denúncias, publicadas pela revista Veja, como mais um episódio da disputa de poder entre o partido e o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). O partido contratou o advogado José Gerardo Grossi para cuidar do caso. Com a publicação do conteúdo das fitas, Grossi vai entrar com uma notícia-crime na Polícia Federal para apurar os responsáveis pela gravação e divulgação das conversas. "Isto é uma tentativa desesperada de tentar tumultuar a reta final da campanha pela sucessão na Câmara e no Senado", atacou o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). "Eles perceberam que o jogo já está jogado." Os caciques peemedebistas atribuem a autoria da denúncia ao senador Antonio Carlos Magalhães, que tenta neutralizar a candidatura de Jader Barbalho (PA) para presidência do Senado. Os peemedebistas também querem reduzir o episódio a uma disputa local entre Geddel e ACM e deixar caracterizado de que a gravação foi ilegal e, portanto, é um crime. "Esse grampo é imoral e é mais uma coisa do ACM só para me criar constrangimentos", disse Geddel. "Por que essa fita aparece precisamente a três dias das eleições?", indagou o peemedebista. Ele disse que os deputados envolvidos na escuta telefônica lhe garantiram que a fita divulgada é uma montagem. "Os deputados dizem que é uma montagem e, por isso, vão acionar a Polícia Federal", afirmou. Na sexta-feira, o líder Geddel Vieira Lima chegou a acusar o diretor de comunicação do Senado, Fernando César Mesquita pela como responsável pela divulgação das fitas. Mesquita negou ter conhecimento sobre as gravações. O PMDB está confiante que a denúncia não terá nenhum reflexo sobre a candidatura do presidente e líder do partido, senador Jader Barbalho (PA), à presidência do Senado. A cúpula peemedebista aposta ainda que a imprensa dará tratamento a estas gravações igual ao grampo telefônico no Palácio do Planalto, divulgado no início do governo Fernando Henrique, em 1995. Levantamento feito pela cúpula do PMDB, mostrou que 80% das matérias que saíram na mídia criticavam o grampo clandestino.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.