PMDB reafirma críticas a dissidentes

Direção do partido aponta a porta de saída para senadores descontentes

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

04 de agosto de 2009 | 00h00

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), reafirmou ontem o conteúdo da nota da direção nacional que recomenda a saída dos dissidentes do partido. "Não queremos forçar ninguém a estar no PMDB. Não queremos que estejam, mas que sejam do partido", disse Alves. Veja bate-boca entre Pedro Simon, Renan Calheiros e Fernando CollorO deputado negou que os alvos principais da investida da cúpula do partido sejam os senadores peemedebistas Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE), que insistem no afastamento de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado, por ter seu nome envolvido em denúncias de uso do poder político para beneficiar parentes e amigos.Outros peemedebistas, no entanto, disseram ao Estado que a nota pretendia rebater o argumento de que os descontentes, em caso de desfiliação, poderiam perder o mandato, por infidelidade partidária. A nota, assinada pelo presidente afastado do PMDB, Michel Temer (SP), presidente da Câmara, e a presidente atual, deputada Íris de Araújo (GO), é clara quanto a essa questão.Eles garantem que o partido não irá à Justiça contra os que deixarem a legenda. "Podem deixar a legenda o quanto antes sem risco algum de perder o mandato", diz o texto.Henrique Alves voltou ontem a bater na mesma tecla. Defendeu a aprovação no Congresso de uma "janela" que permita aos parlamentares e governantes trocarem de partido sem perderem o mandato."Nosso objetivo é fortalecer os partidos e esse é um começo. As pessoas que não estão bem em um partido poderão procurar outro livremente", disse o líder. Ele também observou que o PMDB sempre teve espaço para diferentes correntes, mas que é preciso diferenciar "a crítica construtiva da crítica desrespeitosa". DEFESAAlves esteve ontem no Rio para participar de um seminário, que também teve a presença do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB). Enquanto o líder peemedebista evitou comentários sobre a crise no Senado, Cid defendeu Sarney."Não entendo o que justifica fazê-lo passar por esse bombardeio. Há muito exagero", afirmou o governador.Ele também atacou o PSDB. "Me preocupa muito o interesse golpista do PSDB, que quer a presidência do Senado", disse.Para o governador, é "no mínimo injusto" que as críticas sobre os problemas do Senado recaiam sobre Sarney. "Quem é o brasileiro que resiste a um pente-fino?", perguntou.

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