Fabio Motta/AE
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PMDB quer se aproveitar de momento delicado do País, diz Eduardo Campos

Governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB disse, nesta quinta-feira, criticou posição do PMDB ao defender a redução do número de ministérios

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2013 | 18h57

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, criticou nesta quinta-feira o PMDB, que, de acordo com ele, "tenta se aproveitar da fragilidade de um momento delicado como o que passa o País para expor ainda mais um governo que ajudou a construir e do qual é aliado".

"Tem gente que prefere expor ainda mais, fragilizar ainda mais quando tem uma oportunidade", afirmou, depois de uma reunião de três horas com a bancada socialista em uma casa de recepções, no bairro de Boa Viagem, zona sul do Recife. Campos fez o comentário ao ser indagado sobre a defesa do PMDB pela redução do número de ministérios.

"Não precisamos deste tipo de observações para nos aproximar do que preocupa as ruas", complementou. "Preferimos ficar com questões de conteúdo, como preocupações com a economia". Ele disse torcer para que o Brasil retome o crescimento econômico. "Não queremos 2013 perdido, isso não serve ao povo brasileiro", afirmou. "Não vamos fazer a velha política, da pegadinha, do constrangimento."

Em agosto, o PSB deve entregar ao governo federal propostas de mudanças na política econômica do País. Segundo Campos, houve um debate com o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes há 60 dias sobre a economia e o partido debaterá com personalidades das mais diferentes visões para elaborar um documento que servirá de referência à militância e que será encaminhado à administração federal como uma contribuição ao País. Conforme o líder da legenda PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS), "a economia brasileira está afundando".

O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB disse ser "público e notório" que o Poder Executivo federal acelerou o processo de procurar conhecer os parlamentares depois das manifestações das ruas. "A agenda da presidente foi alterada para isso", reconheceu, ao afirmar que a sigla continuará a ajudar o Executivo federal. "Sempre foi assim", pontuou.

Campos considerou cedo para se avaliar quem sai fortalecido com os protestos nas ruas. "Espero que o Brasil saia fortalecido", afirmou. "Sabemos que quem paga mais a conta é quem está mais exposto, mas este processo está em curso." O governador de Pernambuco e presidente nacional da agremiação disse que a agenda socialista neste semestre será mais voltada para a construção das chapas proporcionais nos governos dos Estados e para destravar uma série de projetos "que ficaram ainda da pauta selecionada pelas ruas".

''Apoios''. Participaram da reunião 16 dos 26 deputados federais do PSB e três dos quatro senadores do partido. Eles deixaram o encontro com a disposição de fortalecer a legenda partido nas bases, buscar mais filiações para a legenda e apoios a Campos. "Catucaram, catucaram e ele amarrou o bode", disse o deputado federal Gonzaga Patriota (PSB-PE) ao afirmar que Campos não assume uma candidatura a presidente. "Como ele não diz que não é e a gente sabe que é, toda a bancada fecha com ele", resumiu. "Vamos buscar mais partidos e coligações para ele", afirmou, ao observar que o trabalho de prospectar novos nomes e apoios andava "devagar", mas agora será intensificado.

O senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) destacou que há uma vontade unânime da bancada e o entendimento de que o governador de Pernambuco e presidente do PSB tem todas as condições de ser candidato a presidente da República. "Este projeto não está condicionado a um eventual desgaste da presidente Dilma", observou. Conforme Rollemberg, a sigla está sintonizado com o desejo da população. Ele disse que os encontros da bancada com Campos serão realizados mais vezes, em Brasília.

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