PMDB quer interceder para aproximar PSDB de governo

A promessa de que o PMDB terá um grande espaço no governo animou os líderes do partido. Tanto é que eles vão ajudar na tentativa de aproximação de petistas com os tucanos no Congresso. "A aliança do PMDB com o governo será construída em torno de uma agenda para o País e, se quisermos aprová-la, temos de fazer esforço para distensionar a relação entre o PT e o PSDB", prega o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), certo de que seu PMDB pode ser fundamental ao Planalto nesta tarefa de facilitar o diálogo entre tucanos e petistas.Hartung, que desembarca em Brasília nesta segunda-feira, véspera da primeira reunião oficial de Lula com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e outros membros da executiva nacional do partido, não fala sozinho quando o assunto é PSDB. "Eu também estou disposto a ajudar na ampliação do diálogo com tucanos com quem converso e me dou muito bem," anuncia o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), referindo-se não só ao tucanato baiano, mas também ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e aos governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP). Embora tenha lugar na direção partidária, Geddel deverá ser recebido por Lula em uma audiência individual ainda esta semana. Temer também chegará em Brasília nesta terça, para fechar a lista dos dirigentes peemedebistas que deverão acompanhá-lo no encontro com o presidente no Planalto. Até agora, ele só fez dois convites: um ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que não é membro da executiva nacional e já recusou a oferta, e outro ao presidente do PMDB paulista Orestes Quércia. Renan explicou que não irá porque sua participação "é desnecessária". Lembrou que sempre defendeu que o presidente conversasse com todos os segmentos do partido, e avaliou que sua presença "provavelmente atrapalharia a conversa". Um líder da ala governista ligado ao presidente do Senado considerou o convite "uma provocação", já que Renan tem canal próprio de diálogo com Lula e não tem interesses em "legitimar" um presidente da ala de oposição ao Planalto como interlocutor. Temer insiste, no entanto, que a ala independente do PMDB reconheça que o partido deseja hoje, majoritariamente, ajudar o governo e o presidente Lula. Sendo assim, ele considera que o melhor caminho para preservar a unidade do partido é trabalhar neste sentido. "Minha intenção é fazer um encontro o mais representativo possível do ponto de vista partidário, para dar uma demonstração simbólica de que o PMDB, como um todo, trabalha para formar um governo de coalizão com o presidente Lula", disse Temer a um interlocutor nesta segunda. Uma vez superado o racha interno, a partir da reunião com Lula no Planalto, tanto Hartung quanto o deputado Geddel avaliam que poderão se dedicar ao trabalho de "distensionar" o relacionamento entre tucanos e petistas. Tudo isto será feito a partir da agenda de projetos estruturantes, que deverá ser fechada na reunião desta terça, com temas que já estiveram em pauta - como as reformas tributária e previdenciária."Tem uma pedra amarrada no pé do Brasil, que não deixa o País se desenvolver", diz Hartung. "É hora de a gente fincar as estacas para um desenvolvimento robusto, sustentável e com inclusão social", acrescenta, ao advertir que o papel do PMDB na coalizão com Lula é criar condições políticas para o desenvolvimento do País. Geddel e o governador consideram que a falta de entendimento entre PT e PSDB sempre foi, desde o governo FHC, o grande obstáculo para se aprovar a agenda que desate os nós que impedem o desenvolvimento. Ambos apostam que o PMDB pode ser o grande aliado de Lula nesta missão, até pela experiência acumulada na aliança com FHC. Colaborou Cida Fontes

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