PMDB quer discutir com Lula ''plano B'' para a eleição de 2010

Líder diz que partido defenderá uma alternativa para enfrentar incertezas provocadas pelo tratamento de Dilma

Christiane Samarco e Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

O PMDB não aceita ficar totalmente "pendurado" no projeto da candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff e quer que o governo articule um "plano B" para enfrentar as incertezas políticas provocadas pelo tratamento do câncer linfático a que se submete a chefe da Casa Civil. A cúpula do partido aguarda apenas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorne da viagem internacional, neste fim de semana, para cobrar uma alternativa a Dilma e regras que pacifiquem as disputas entre petistas e peemedebistas nos Estados."Há uma inquietação no ar e políticos não podem trabalhar sem ?plano B? ", afirmou o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). O deputado, ressalvou, no entanto, que a palavra final será do presidente. "Nosso projeto é com Lula e é ele quem tem de dizer se quer um ?plano B? de candidatura."Dirigentes do partido avaliam que uma das apostas do Planalto está no Supremo Tribunal Federal. O STF pode livrar o ex-ministro da Fazenda e deputado Antonio Palocci (PT-SP) de processo penal no julgamento, marcado para 4 de junho, do caso envolvendo a violação de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Independentemente da decisão do STF, que pode abrir espaço para a candidatura Palocci, líderes do PMDB não desistem da ideia de converter o governador tucano de Minas, Aécio Neves, no ?plano B? da sucessão (leia texto na página A6).Aécio é o principal alvo do projeto do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que reduz de um ano para seis meses o prazo mínimo de filiação para candidatos às eleições de 2010. Como a prévia do PSDB que escolherá o presidenciável está prevista para o ano que vem, Cunha apresentou à direção da Câmara requerimento de urgência para votar o projeto de mudança da Lei Eleitoral. Pela proposta, Aécio terá uma saída política se o PSDB optar pela candidatura do governador de São Paulo, José Serra.Em conversas reservadas, auxiliares de Lula observam que o PMDB começa a dar sinais de que vai brigar para influenciar o processo de escolha de outro candidato ao Planalto, caso Dilma seja obrigada a sair do páreo."Vamos dizer ao presidente, na próxima semana, que a aliança em torno de Dilma não sairá se o PT quiser impor seus nomes para governador", insistiu o líder do PMDB na Câmara. "Queremos entrar em 2010 sabendo o que vamos fazer. Não podemos deixar as coisas para março porque aí não dá tempo de ter um ?plano B?."Nos bastidores do Planalto o comentário é de que não há empenho pela candidatura de Dilma na seara do PMDB. Para facilitar o casamento de papel passado, o Diretório Nacional do PT baixou resolução, há duas semanas, proibindo lançamento de candidaturas até fevereiro de 2010. O enquadramento atingiu o ministro da Justiça, Tarso Genro, que pretende disputar o governo do Rio Grande do Sul, onde o PMDB quer apoio ao prefeito José Fogaça."A prioridade é a aliança nacional e temos a preocupação de não criar fatos consumados", afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), que ontem telefonou para o líder do PMDB. "Eu disse a ele que estamos disponíveis para conversar. É só marcar."Na reunião com Lula, os dirigentes do PMDB querem tratar, por exemplo, da parceria em Minas, segundo maior colégio eleitoral. O ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), lidera as pesquisas para a sucessão de Aécio, mas o PT tem dois pré-candidatos: o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. "O PT não pode querer o apoio a Dilma para presidente e fazer o que quiser nos Estados", argumentou Alves. "Se fizer isso, adeus coligação." O PMDB propõe que quem estiver em primeiro lugar nas pesquisas estaduais, até dezembro, seja o cabeça da chapa. O assunto foi o cardápio do jantar que Alves ofereceu na quarta-feira a 30 deputados do partido, incluindo o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Na avaliação feita no jantar, a aliança com o governo só será selada se projetos regionais forem respeitados.

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