PMDB quer dar cara nova ao partido para 2002

A cúpula do PMDB está montando uma articulação para dar cara novaao partido, com a ajuda do Palácio do Planalto e a torcida do primeiro time do PSDB, todos de olho nas eleições de 2002.Aidéia defendida pelos próprios dirigentes peemedebistas é abrir espaço para expoentes do velho MDB autêntico e ético, na novadireção partidária que vai suceder o comando do presidente do Senado, Jader Barbalho (PA).Enquanto os principais líderes do PMDB tratam de ampliar a negociação com o chamado grupo ético, acertando inclusive ascomposições para disputar os governos estaduais, o Planalto também investe nas conversas com peemedebistas de expressãonacional.A lista dos autênticos e éticos que deverão melhorar a imagem do partido depois do bombardeio das denúncias decorrupção inclui não só o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, como o ex-governador do Rio Grande do Sul AntonioBritto e o prefeito de Joinvile (SC), Luiz Henrique.?O governo tem aberto canais de diálogo com esse outro grupo, não para desalojar a direção atual, mas para ter uma alternativanatural a ela, ao mesmo tempo em que ajuda a estreitar o espaço de Itamar (Franco, governador de Minas Gerais)?, explica uminterlocutor do presidente Fernando Henrique Cardoso.O Planalto decidiu agir para ter um ?plano B?, caso o atual comando dopartido não resistisse às denúncias.A cúpula tucana, especialmente os entusiastas da candidatura do ministro da Saúde, José Serra (PSDB), também temestimulado a operação para ?arejar? o comando peemedebista.Os tucanos sabem que o PMDB é um partido muito bemestruturado Brasil afora e contam com esta estrutura para fortalecer a candidatura do partido na corrida presidencial.?Precisamos fortalecer o PMDB com este grupo que não tem a intenção de abrir as portas do partido para Itamar, porque opartido é estratégico para o nosso projeto de poder em 2002?, justifica um representante do alto tucanato.O grupo de Jader já tratou de advertir o Planalto de que Itamar espera ser ?beneficiado? pela ?desintegração? da cúpula dopartido.Tanto é assim, que o ex-deputado Paes de Andrade (PMDB-CE), crítico ácido do governo e velho defensor dacandidatura própria de Itamar a presidente da República, já prepara uma nova investida para voltar à presidência do PMDB emsetembro. ?Tendo a atender aos apelos para voltar ao comando do partido?, diz Paes.Antes mesmo de assumir sua cadeira de presidente do Senado há dois meses, Jader já havia avisado que não pretendiaacumular o posto com a presidência do partido.Não por algum impedimento legal ou ético, já que Ulysses Guimarães foitri-presidente, dirigindo ao mesmo tempo a legenda, a Câmara e a Assembléia Constituite de 1988. ?Apenas não gostaria derepresentar o Senado, estando na presidência do PMDB?, tem insistido o próprio Jader nos últimos 60 dias.A dificuldade em abandonar já o comando do PMDB é que não interessa ao governo, a seu grupo, nem ao conjunto dopartido, ceder a cadeira para o senador Maguito Vilela (GO).O fato de o senador ter assinado o requerimento para criar aComissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ampla da corrupção é o maior inconveniente, mas não é o único.?Nenhum de nós tem dúvidas de que o Maguito é minoria até em Goiás e só está a serviço de seu projeto pessoal de voltar aogoverno do Estado?, resume, irritado, um cardeal do PMDB.Segundo o informante, Jader pode acabar arrastando suapermanência no posto para não antecipar a guerra interna pelo comando partidário e, de quebra, dar espaço e palco para ItamarFranco.

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