PMDB promete retaliar governo no Congresso

Contrariados com ataque a aliado do líder Henrique Alves após denúncias de irregularidade na gestão do afilhado, peemedebistas armam estratégia para convocar para depor o ministro Pimentel

Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 23h11

BRASÍLIA - Para tentar neutralizar o que considera "fogo amigo" contra o líder do partido na Câmara, o PMDB quer montar uma agenda de desgaste para o Planalto no Congresso. Atingidos por ricochete pelas denúncias de irregularidade na gestão do afilhado político Elias Fernandes à frente do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), aliados de Henrique Eduardo Alves (RN) vão dificultar a vida do governo no Congresso, que reabre os trabalhos na quarta-feira.

 

O grupo mais próximo ao líder reclama da condenação sem defesa de Fernandes, diferentemente do que ocorreu com o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel (PT), e diz que isso "desequilibra" a base aliada. Por outro lado, a ala descontente com Henrique Alves e com o governo quer se aproveitar da situação, adotando a mesma estratégia, e "sinalizar" a insatisfação geral à presidente Dilma Rousseff, convocando Pimentel para esclarecer suspeitas de tráfico de influência em transações feitas pela P-21, a empresa de consultoria do ministro.

 

Um dirigente do PMDB explica que não se trata de rompimento com o governo, mas de problema à vista. Lembra que sua legenda "segurou" todas as provocações da oposição, evitando CPIs e convocações de ministro e avisa que a partir de agora a história será outra. Segundo ele, o PMDB certamente se reunirá para reavaliar a relação com o governo e ficará difícil segurar a insatisfação acumulada.

 

A lista dos queixumes passa pelos compromissos não cumpridos de empenho de emendas parlamentares no final de 2011, em troca da aprovação do Orçamento de 2012, e se estendem pela degola de aliados em cargos de segundo escalão Brasil afora.

 

Só na virada de ano, foram 3 trocas de peemedebistas por petistas em superintendências da Fundação Nacional de Saúde em Mato Grosso, Santa Catarina e Piauí, mas na contabilidade peemedebista os despejados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já somam 11.

 

Ação. A avaliação predominante nas conversas de bastidores é que a legenda precisa agir rápido e tomar uma atitude para ser respeitada por Dilma, da mesma forma que o Planalto respeita o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e do ministro da Integração, Fernando Bezerra Coelho.

 

O entendimento geral no partido é a de que governo e aliados se movimentam para transferir ao PMDB os problemas do PSB na Integração. Peemedebistas lembram que também foi assim no episódio da troca de comando no Turismo e protestam contra o PT: "Empurraram para nós os malfeitos que fizeram no ministério antes de assumirmos".

 

Setores da sigla também criticam o líder Henrique Alves por "ajudar" os aliados a transferir responsabilidades ao PMDB, fazendo a "defesa paroquial" de seu apadrinhado no Dnocs. O raciocínio é o de que, ao rebater o favorecimento ao Rio Grande do Norte e articular a manutenção do diretor-geral, ele puxa o problema para si, tirando Bezerra e o PSB do foco das denúncias.

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