PMDB pressiona e impõe ‘preço’ para proteger Palocci

Temer foi avisado de que partido apoiará o relatório de Aécio restringindo poderes da presidente na edição de medidas provisórias

Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo

26 de maio de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - Principal aliado do governo, o PMDB colocou um "preço" para proteger o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, do constrangimento de ter de explicar a evolução de seu patrimônio no Congresso ou de ser alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A fatura já começou a ser apresentada e até o vice-presidente da República, Michel Temer, terá de ajudar a pagar esta conta, na condição de presidente de honra do PMDB.

Veja também:

linkPalocci não se sustenta no cargo se não se explicar, diz Paulinho

especialMinistro dá explicações a senadores do PT

A cota do vice foi tratada no café da manhã que ele ofereceu nesta quinta-feira, 26, a sete senadores do grupo independente do PMDB. Temer foi avisado de que o partido apoiará o relatório do senador Aécio Neves (PSDB-MG), restringindo poderes da presidente Dilma Rousseff na edição de Medidas Provisórias.

 

O vice entrou em campo para reunir os independentes do partido depois que o próprio Palocci foi advertido por petistas do risco de a oposição reunir 28 votos para investigá-lo - um a mais que o necessário para instalar uma CPI exclusiva no Senado.

 

Em meio à avalanche de críticas e queixas de parlamentares como Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que pediu audiência a Palocci há dois meses e meio e nunca obteve resposta, Temer foi cobrado como vice da República e como presidente do PMDB.

 

Dissidente que coordenou a campanha presidencial do tucano José Serra em Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB) contou que tem o apoio da bancada peemedebista para relatar o Código Florestal no Senado e pediu ajuda para evitar qualquer veto "descabido" do governo a seu nome, uma vez que ele não é "radical". Mais do que a relatoria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), ele quer ser o relator do Código na Comissão de Agricultura, que analisará o mérito da proposta.

Negociações. Antes de a crise em torno do ministro Palocci se agravar, o Palácio do Planalto avisara que a prometida nomeação do deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) líder do governo no Congresso dependeria do desempenho dele nas negociações do Código Florestal, durante a ausência do líder Henrique Alves, que viajaria para a Rússia com Temer.

 

Fiel ao titular e ao partido, Mendes acabou votando contra a orientação do governo no Código Florestal. Ainda assim, e a despeito da movimentação do PT para comandar a liderança, o PMDB diz que não vai aceitar represália do governo. Aposta que, em tempos de crise, a prudência recomenda não hostilizar o maior partido da base governista.

 

Não por acaso, o senador Eduardo Braga (AM), que ajudou Temer a mobilizar o grupo independente, abriu a conversa dizendo que o partido não pode excluir pessoas como os senadores Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS) e reclamou a participação de toda a bancada nas decisões do Senado. Antes hostilizada pelo governo Lula, a dupla rebelde vai jantar no Palácio do Jaburu - a residência oficial do vice - na segunda-feira, e também foi convidada para almoçar com Dilma na quarta.

 

A queixa geral é a de que apenas três senadores do PMDB têm a primazia na interlocução com o governo - o presidente do Senado, José Sarney (AP), o líder da bancada Renan Calheiros (AL), e o líder do governo Romero Jucá (RR). Os descontentes disseram que não aceitam que o trio apresente uma lista de 38 indicações a cargos do segundo escalão em nome da bancada, porque não foram ouvidos e nada pediram.

 

Pedidos da base em meio à crise:

Medidas Provisórias: A bancada do PMDB no Senado já comunicou a Michel Temer que está fechada com o relatório de Aécio Neves (PSDB), que cria uma comissão de admissibilidade para barrar MPs que não atendam aos requisitos de "urgência e relevância"

Código Florestal: A bancada do PMDB reivindica a relatoria para Luiz Henrique da Silveira, tanto na CCJ, quanto na Comissão de Agricultura, que analisará o mérito

Aeroporto: O senador Ricardo Ferraço (ES) disse a Temer que não assina a CPI de Palocci antes de o ministro prestar informações à Procuradoria-Geral, mas cobra as obras de ampliação do aeroporto de Vitória prometidas por Lula

Liderança do Congresso: O PMDB da Câmara cobra "promessa" de oficializar Mendes Ribeiro (RS) na liderança do Congresso. Não aceita vinculação ao Código Florestal, sobretudo depois de desmontar as manobras da oposição para convocar Palocci a explicar o crescimento de seu patrimônio 

                 

Mais conteúdo sobre:
PMDBPaloccipatrimônio

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.