PMDB poupa Yeda para fustigar PT

Com cargos na administração estadual, partido tem interesse em garantir a governabilidade no Rio Grande do Sul

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

O PMDB do Rio Grande do Sul tem motivos próprios para não querer a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que a oposição está tentando viabilizar a fim de apurar supostas irregularidades que a governadora Yeda Crusius (PSDB) teria permitido na campanha eleitoral de 2006 e durante sua gestão.Com cargos na administração estadual, o partido entende que deve garantir a governabilidade para Yeda pelo menos enquanto não aparecerem provas que justifiquem a investigação parlamentar. E também trata de se proteger, porque o requerimento inclui a busca de informações da Operação Solidária, da Polícia Federal, que tem entre os investigados seus deputados estaduais Marco Alba e Alceu Moreira e seu deputado federal Eliseu Padilha. Além disso, uma CPI daria aos adversários do PT, que vão enfrentar em 2010, o palanque antecipado dos holofotes.Os peemedebistas gaúchos refutam a tese de que estariam blindando Yeda por acordo com o PSDB nacional de olho em 2010. A hipótese começou a ser ventilada em Brasília nesta semana, depois de tucanos admitirem que avaliam alternativas para o naufrágio da reeleição de Yeda. Como o PMDB busca acordos por Estados, o apoio à CPI poderia sacrificar sua participação na disputa gaúcha, em troca do palanque que ofereceria para os governadores tucanos José Serra ou Aécio Neves. Só que o partido já está dividido.O senador Pedro Simon, líder estadual do PMDB, alavanca um movimento por candidato próprio à Presidência da República e não admite tratar de alianças. "Falar disso agora é piada grosseira", afirmou. O deputado federal Eliseu Padilha, por sua vez, já fez campanhas ao lado de tucanos e tende a estar ao lado deles em 2010. Mas seu colega, Mendes Ribeiro Filho, tem posição favorável a Dilma Rousseff.No PSDB, uma aliança vinculada à CPI e a 2010 também é refutada. "Se um tucano se arvorou a dizer isso, não representou a posição do partido", afirmou o vice-presidente da Executiva Nacional Cláudio Diaz. ASSINATURAS Nesta quinta-feira os dois deputados do PSB, Miki Breier e Heitor Schuch, assinaram o requerimento para a criação da CPI, elevando o número de signatários para 12. PT e PC do B, autores da proposta, acreditam que podem conquistar a adesão de pelo menos quatro pedetistas. Se chegarem a 16, contam com as promessas de dois deputados do DEM e do petebista Cassiá Carpes para chegar às 19 necessárias para abrir a comissão.GRAVAÇÕESO advogado de Lair Ferst, Lúcio de Constantino, disse ontem que, mesmo sem ter acesso ao conteúdo dos diálogos, irá juntar "no momento certo" ao processo por fraude no Detran gaúcho as gravações que supostamente indicam caixa 2 na campanha de Yeda. Ferst é considerado o pivô da crise no Palácio do Piratini. Ele é réu da ação e responde por suposto desvio de R$ 44 milhões da autarquia. "Vou usar qualquer prova que venha", afirmou Constantino. COLABOROU ROBERTO ALMEIDA

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