PMDB pode lançar candidato para presidir Câmara

Diante do impasse criado na base aliada em torno dos nomes dos deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para presidir a Câmara Federal, caciques do PMDB já pensam em lançar uma candidatura própria, caso a situação atual persista.Segundo fontes do alto escalão do PMDB, ouvidas pela Agência Estado, se os dois candidatos da base do governo mantiverem suas candidaturas até o fim, cai por terra o acordo fechado pelo PMDB - de abrir mão da presidência agora, para assumi-la em 2009 - e o partido deve sentir-se livre para tentar presidir a Câmara já no primeiro mandato da nova legislatura."Nós estamos trabalhando por uma candidatura única, mas a insatisfação com o impasse atual é crescente e o sentimento da bancada é o de que o partido não precisa bancar uma candidatura, caso a base aliada se divida entre dois candidatos. Nesse caso, poderemos reivindicar o critério da proporcionalidade, pelo qual o PMDB tem direito à presidência", resume um dos caciques do partido, que trabalha para solucionar o impasse.De acordo com essa mesma fonte, a tendência é que, na reunião da bancada marcada para a próxima terça-feira, o PMDB saia com uma posição fechada: de apoio a um dos candidatos da base (Aldo ou Chinaglia) e independência, no caso da manutenção de uma das candidaturas. A definição do PMDB por um dos nomes também deve servir para que o Planalto feche uma posição sem criar maiores rusgas com o preterido.Chinaglia ou terceira viaAté agora, segundo as fontes ouvidas, sondagens informais encomendadas pelo presidente da legenda, Michel Temer (SP), apontam para uma preferência pela candidatura de Chinaglia. "A visão da maioria é a de que a gestão do Aldo foi excessivamente subordinada aos interesses do Senado. Também causou uma boa impressão o compromisso firmado por Chinaglia de apoio a uma candidatura do partido em 2009", diz um peemedebista. Aldo também fechou um acordo para apoiar a legenda na próxima eleição da Casa, mas só após Chinaglia ter tomado a iniciativa.Uma candidatura do PMDB também pode ganhar força a partir desta sexta-feira, quando parlamentares da oposição, insatisfeitos com o desenrolar do processo de sucessão, iniciaram a articulação de uma terceira via. "Mas ela só será possível se vislumbrarmos um apoio amplo", diz um dos envolvidos nessas articulações.Até agora, a análise de parlamentares que acompanham o processo é a de que nomes mais combativos, como o dos deputados Fernando Gabeira (PV-RJ) ou Raul Jungmann (PPS-PE), por exemplo, não são uma opção, já que teriam dificuldades em conseguir o apoio das maiores bancadas do parlamento. Nome moderadoDiante desse raciocínio, alguns articuladores da terceira via já pensam em incluir o PMDB na iniciativa e devem procurar o presidente do partido até a próxima segunda-feira para discutir o assunto. Apóiam a iniciativa parlamentares do PMDB, PSDB, PPS, PSB, PSOL e PV, além dos petistas Walter Pinheiro (BA) e José Eduardo Martins Cardozo (SP). "Diria que uma terceira via, com um nome mais moderado, que seja capaz de recuperar a imagem da Câmara e, ao mesmo tempo, manter a tradição da proporcionalidade, seria viável", diz um dos líderes do PMDB envolvido diretamente na questão da sucessão.De acordo com um parlamentar do PSDB, cresce entre os promotores da terceira via essa idéia de lançar um nome mais moderado, que pode, inclusive, ser do PMDB. Entre os que defendem a idéia de uma candidatura menos belicosa está o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que já propôs a aliados, nesta sexta, uma terceira via construída com a maioria, incluindo-se aí o PMDB. "Todos os partidos serão procurados, pois a idéia é que essa seja uma candidatura de resgate do Parlamento. Mas é óbvio que o PMDB, por ter a maior bancada, tem que ser ouvido e respeitado", finaliza o deputado tucano.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.