PMDB pode adiar convenção caso Pimentel se mantenha na disputa por MG

Cúpula peemedebista ameaça adiar formalização da vice de Dilma caso PT não abra caminho para candidatura de Hélio costa

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2010 | 00h07

Em uma reunião tensa do conselho político da pré-campanha da petista Dilma Rousseff, o PMDB nacional ameaçou nesta segunda-feira, 31, adiar a convenção nacional do partido, marcada para o próximo dia 12, caso o PT de Minas Gerais insista em lançar a candidatura de Fernando Pimentel ao governo do Estado. A convenção é para formalizar o nome do presidente da Câmara e do PMDB, deputado Michel Temer (SP), como vice na chapa de Dilma Rousseff.

 

A cúpula do PMDB quer que o PT mineiro bata o martelo no domingo, dia 6, a favor da candidatura do ex-ministro e senador Hélio Costa (PMDB-MG) ao governo de Minas. Diante da perspectiva de falta de acordo, as direções nacionais do PMDB e do PT já agendaram uma reunião para segunda-feira, dia 7, para discutir a situação da aliança mineira entre os dois partidos. "Queremos apenas que se cumpra o que foi combinado. Vou defender que não se faça convenção com essa pendência em Minas Gerais", afirmou o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).

 

Segundo o líder, tanto o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, quanto o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, garantiram que haverá uma decisão sobre Minas até o próximo domingo. Na reunião, Padilha e Dutra reconheceram, no entanto, que a aliança em Minas está com problemas. "Isso sim é um problema sério", disseram Padilha e Dutra, de acordo com relatos de integrantes da reunião. Nas palavras dos dois petistas, Fernando Pimentel, que controla 52% do partido no Estado, "está tensionando" o PT estadual.

 

"Mas ficou claro que haverá uma resposta até o dia 7", disse o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que participou na noite desta segunda da reunião do conselho político da pré-campanha petista. "Vão tentar um entendimento até domingo. Se não der a conta, vem para cá", resumiu o líder do PDT na Câmara, deputado Dagoberto (MT), referindo-se à possível intervenção da direção nacional do PT e do PMDB para resolver o impasse em Minas.

 

Escalado para dar um panorama sobre a situação mineira, o presidente do PMDB local, deputado Antonio Andrade, diz que a escolha do candidato terá como base o resultado das pesquisas. "O candidato será quem tiver melhores condições de ganhar. Se isso não ocorrer, será rompimento de um acordo. Mas não acredito que possa acontecer isso", disse. Pelo acordo, o candidato melhor colocado disputará o governo de Minas. O outro vai concorrer a uma cadeira no Senado.

 

Liberação de verbas

 

Os líderes partidários aproveitaram a reunião do conselho para reclamar da demora na liberação das verbas. O conselho é integrado pelos partidos que apoiam a candidatura de Dilma Rousseff. "Com uma base tão grande não tem como controlar", justificou o ministro Padilha.

 

Além de Minas Gerais, o conselho político também discutiu a situação da aliança entre PMDB e PT no Pará, Paraná e Ceará. O presidente do PT e o ministro Padilha disseram na reunião que não aceitam o veto ao nome do deputado José Pimentel (CE) que pleiteia ser candidato ao Senado na chapa do governador e candidato à reeleição do Ceará, Cid Gomes (PSB). No Pará, o deputado Jader Barbalho deverá sair candidato ao Senado, só apoiando à reeleição da governadora Ana Júlia no segundo turno.

 

Os integrantes do conselho político também saíram convencidos de que o PP não vai apoiar formalmente à candidatura de Dilma Rousseff. A tendência é o partido ficar independente. Já o PTB do ex-deputado Roberto Jefferson vai se aliar formalmente com o PSDB de José Serra, mas 19 dos 23 deputados federais do partido vão se engajar na campanha da petista.

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