PMDB planeja tomar cargo de Tarso

Governo emite sinais de que aceita negociar, mas não admite entregar ministério e a presidência do Senado

Christiane Samarco e Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

13 de novembro de 2008 | 00h00

Na briga com o PT do senador Tião Viana (AC) pelo comando do Senado, o PMDB bate o pé em torno da candidatura própria, alegando que tem direito de indicar o presidente, como maior bancada, mas está mesmo de olho em mais um ministério: o da Justiça, que embute o comando da Polícia Federal. Um interlocutor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adianta que o governo topa a negociação, até porque a maioria no Senado é frágil, mas não aceita "entregar tudo"- a presidência do Congresso e mais uma vaga na Esplanada - ao partido.Talvez por isso, a cúpula peemedebista do Senado, tendo à frente os senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL), argumente, nos bastidores, que ministério é assunto de Lula, mas a decisão de indicar o candidato ao comando do Congresso não passa pelo Planalto: compete à bancada. Preocupado com a disputa na base governista, Lula mandou incluir na agenda da semana que vem dois compromissos. De volta da viagem oficial à Europa e aos Estados Unidos, ele quer se reunir com os seis ministros e a cúpula do PMDB.Um interlocutor de Lula que acompanha a sucessão no Congresso afirma que, hoje, o presidente admite troca de comando na Justiça e está sensível às queixas contra o ministro da Justiça, Tarso Genro. Sarney, por exemplo, reclama da "condução política" da PF nas investigações que levantaram indícios de tráfico de influência e desvio de recursos públicos envolvendo seu filho Fernando Sarney, que dirige as empresas de comunicação da família.Segundo o interlocutor, no entanto, a boa vontade com o PMDB de Sarney não se repete na sucessão da Casa. Neste caso, a preferência clara de Lula recai sobre Viana. Mas o PMDB finge que não sabe. "Se o partido ficar com as duas presidências (Câmara e Senado), não haverá necessidade de mais espaço (no governo)", diz o líder no Senado, Valdir Raupp (RO).Sarney relatou a um companheiro de bancada que, no encontro que teve com Lula, na semana passada, deixou sua candidatura em aberto. Em vez de descartar a hipótese, teria dito apenas que, "neste momento, não gostaria de ser candidato".O presidente está preocupado em manter a parceria com o PMDB, mas sabe que não terá o partido por inteiro na eleição presidencial de 2010. Líderes petistas não cansam de repetir que o PMDB acabará se "bandeando" para o candidato que tiver mais chance de vitória. Lula tem sido freqüentemente alertado para o risco iminente de uma fatia expressiva do PMDB acabar apoiando o governador tucano de São Paulo, José Serra.

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