PMDB paulista não dá espaço a Temer no horário de TV

Presidente nacional do partido perde briga pelo palanque eletrônico também em Pernambuco e Mato Grosso do Sul

Christiane Samarco/BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2010 | 00h04

O presidente nacional do PMDB e candidato a vice na chapa presidencial da petista Dilma Rousseff, deputado Michel Temer (SP), não terá palanque eletrônico em São Paulo para pedir votos no programa eleitoral gratuito de rádio e televisão. Quem vai desfrutar dos preciosos minutos do PMDB paulista na TV será o candidato da oposição a presidente, José Serra, e não o presidente do partido, que disputará o Palácio do Planalto em parceria com o PT.

 

Com um histórico de traições até mesmo quando disputa a Presidência da República com candidato próprio, o PMDB está fazendo uma ofensiva para "segurar" o palanque eletrônico nos Estados em que o cenário é de racha partidário entre os presidenciáveis do governo e da oposição. A cúpula partidária instruiu alguns interlocutores a apelar pela neutralidade do palanque eletrônico onde não houver chance de fechar o apoio majoritário à Dilma.

 

É a única alternativa para impedir que o tempo de televisão do partido seja consumido pelo adversário tucano José Serra, ao longo dos 45 dias de propaganda eleitoral gratuita. Mesmo assim, Temer já sabe que seus correligionários também vão pedir voto para o candidato do PSDB a presidente em Pernambuco e no Mato Grosso do Sul.

 

É este o caso do Rio Grande do Sul, onde a briga com o PT é intensa. A grande maioria do PMDB gaúcho se recusa a pedir voto para Dilma e não admite a presidenciável no programa eleitoral do partido. Neste caso, a neutralidade é única alternativa para evitar que o palanque eletrônico repita o palanque real, em que vários peemedebistas já trabalham para eleger Serra.

 

Com a autoridade de quem elegeu 88% dos membros do diretório estadual do partido na eleição do ano passado, o presidente do PMDB de São Paulo, Orestes Quércia já deixou Temer de fora dos comerciais partidários que foram ao ar este mês e do programa anual da legenda, desde o ano passado. Tudo sem briga, em uma espécie de pacto em que um não incomoda o outro e cada um faz o que quer. Foi por conta desse acerto que Quércia liberou os suplentes de delegado de São Paulo para aprovar o nome de Temer para vice, na convenção nacional do dia 12, em Brasília.

 

Quércia argumenta que a razão da ausência do comandante nacional do partido na TV do partido nada tem de pessoal. Ao contrário, explica, ela tem fundamento político e jurídico, a partir da coligação formada pelo PMDB em São Paulo. Afinal, a coligação firmada no Estado é com o PSDB, o DEM e o PPS, em torno da eleição dos tucanos Geraldo Alckmin a governador, e Serra para presidente. E Quércia argumenta que, do ponto de vista jurídico, uma coligação formal funciona como um partido político.

 

Da mesma forma, em Pernambuco também é certo que o senador Jarbas Vasconcelos vai disputar o governo estadual em aliança com o DEM, o PPS e o PSDB. Tanto é assim que Jarbas fez questão de se lançar candidato na presença de Serra. E no Mato Grosso do Sul o candidato a governador, André Puccinelli, já montou a coligação com o PSDB negociando um espaço no tempo de TV para Serra. Foi o preço para evitar que a senadora Marisa Serrano (PSDB) concorressse contra ele, dificultando sua briga contra o petista José Orcírio dos Santos – o Zeca do PT.

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