PMDB paulista e Skaf deixam Dilma de lado

Convenção confirma empresário como candidato ao governo; Michel Temer diz que será o suporte do partido para a presidente no Estado

Fernando Gallo, O Estado de S. Paulo

14 Junho 2014 | 17h59

O PMDB paulista confirmou ontem, em sua convenção estadual, o nome do empresário Paulo Skaf como candidato da legenda ao governo do Estado de São Paulo. O partido, que na disputa presidencial está aliado ao PT e à candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição e na disputa estadual será adversário de Alexandre Padilha (PT), informou que haverá um palanque paralelo PMDB-PT em São Paulo.

O vice-presidente Michel Temer, uma das estrelas do evento, endossou o discurso de Skaf, que em entrevista ao Estado publicada ontem afirmou que o PT será seu adversário, e que a polarização se dará entre o seu PMDB e o PSDB do governador Geraldo Alckmin. “A grande polarização, o Skaf tem razão, vai ser entre o PMDB e o PSDB. Pelos menos as pesquisas estão indicando dessa maneira”, afirmou o vice-presidente – uma indicação de que, na campanha paulista, o PT será encarado como adversário. “O palanque (da aliança) será um palanque Dilma-Temer aqui em São Paulo, mas evidentemente há uma divisão que o eleitor vai decidir.”

“No caso do Skaf, o adversário é todo mundo. No caso do PT, o adversário é todo mundo. No caso do PSDB, é todo mundo”, disse o deputado Gabriel Chalita, que preside o PMDB da capital.

Ponte. A candidatura de Skaf começou a ser construída em 2011, quando o presidente licenciado da Fiesp trocou o PSB, do ex-governador Eduardo Campos, pelo PMDB, a convite Temer. Este acabara de tomar controle do partido após a morte, no Natal de 2010, do ex-governador Orestes Quércia, com quem ele disputava o controle da sigla no Estado.

Na tentativa de oxigenar a legenda, que vem encolhendo a cada eleição, ele convidou Skaf, que já disputou a eleição para governador em 2010, obtendo 4% dos votos. Com o convite, Temer queria construir uma ponte com o empresariado, representado por Skaf no comando da Fiesp.

O hoje candidato começou a disputar espaço no partido com Chalita, que também havia trocado o PSB pelo PMDB. Chalita ficou com a presidência do diretório da capital e Skaf acabou sem cargo de comando. Nas eleições de 2012, Skaf quis ser candidato a prefeito, mas foi preterido por Chalita – e em troca lhe foi prometida a atual candidatura.

Passadas as eleições, Skaf começou a expor seu nome na TV em propagandas da Fiesp e do Senai. Pelo tom eleitoral das peças, a Justiça acabou barrando suas exibições. Nas mensagens, ele se colocou como o responsável pela diminuição da conta da luz e travou uma batalha pública contra a Prefeitura de São Paulo e contra o aumento do IPTU. Acabou vencendo: a Justiça barrou o aumento.

A presença na TV se refletiu nas pesquisas: ele tem hoje 21% de intenção de votos segundo o Datafolha, atrás apenas do governador Alckmin, com 44%. O ex-ministro Alexandre Padilha, que hoje será confirmado candidato pelo PT, tem 3%.

O presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), causou polêmica ao afirmar, ao microfone, que o ex-presidente Lula lhe disse que os trabalhadores estão elegendo Skaf como seu candidato. “Ouvi do presidente Lula há alguns dias: o Paulo Skaf está entrando nas fábricas, no operariado de São Paulo. Eles estão escolhendo Paulo Skaf como governador”, afirmou.

Na mesma linha, de aproximação com o eleitorado de menor renda, Temer afirmou que Skaf tem forte “vocação social”. A convenção confirmou também o advogado José Roberto Batochio (PDT), ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como vice de Skaf.

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