Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

PMDB oficializa apoio à candidatura de Cunha

Manifestação da Executiva do partido é um gesto raro que não ocorre há mais de 15 anos; iniciativa foi reação às investidas do Planalto para lançar Arlindo Chinaglia

Ricardo Brito, Ricardo Della Coletta e Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

14 de janeiro de 2015 | 13h33

Brasília - Preocupados com a investida do Palácio do Planalto, a Executiva Nacional do PMDB decidiu nesta quarta-feira, 14, declarar apoio à candidatura do líder do partido na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), à presidência da Casa. A decisão foi formalizada esta manhã em reunião comandada pelo presidente do partido e vice-presidente da República, Michel Temer.

Em um documento divulgado ao final do encontro, a direção do partido declarou, por unanimidade, apoio a Cunha e também ao candidato do PMDB a presidência do Senado. O atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve buscar a reeleição, mas resiste de se lançar candidato no momento para não virar "vitrine".

Cunha e Renan não participaram do encontro. A decisão da Executiva do PMDB é uma reação à articulação do Palácio do Planalto de tentar desidratar a candidatura de Cunha e eleger o petista Arlindo Chinaglia (SP). Os presentes queixaram-se da atuação em favor de Chinaglia e também da articulação dos ministros Gilberto Kassab, das Cidades, e Cid Gomes, da Educação, para criar novos partidos que poderiam enfraquecer o PMDB no Congresso.

A manifestação da Executiva é um gesto raro, não realizado há pelo menos 15 anos. O PMDB também tomou tal posição uma semana depois de serem veiculadas denúncias que envolveram Cunha com suposto recebimento de propina no curso da Operação Lava Jato. O peemedebista nega e classifica as notícias de "alopragem" para prejudicar sua candidatura.

No início da semana, a defesa do doleiro Alberto Youssef isentou Cunha de envolvimento com seu cliente. Em rápido pronunciamento após o encontro, Michel Temer disse que a declaração de apoio tem por objetivo "revelar a unidade do PMDB".


Um dos presentes ao encontro, o ex-ministro Geddel Vieira Lima - que fez campanha para o tucano Aécio Neves em outubro - foi o que deu o recado mais direto ao governo. Disse que o PMDB vai olhar "com lupa" se o governo vai tratar o partido como aliado ou não.

"O governo tem que tomar cuidado para que isso (apoio ao candidato do PT) não represente uma divisão que lhe possa ser prejudicial em um futuro próximo, quando reabrir o Congresso", afirmou. Para Geddel, o governo terá "maturidade" para não se envolver numa disputa como essa.

O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) defendeu a candidatura do líder do seu partido. "Nos tempos do Arlindo como presidente, a Câmara era um puxadinho do Planalto", afirmou Perondi.

Os presentes não comentaram, durante o encontro, sobre a prisão do ex-diretor da Área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró nesta madrugada. Cerveró seria indicação do PMDB. "Cerveró é assunto da Polícia Federal", resumiu Geddel.

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