Tiago Queiróz/AE
Tiago Queiróz/AE

PMDB nega pressão por diretoria do pré-sal para ajudar em CPI

'CPI não tem absolutamente nada a ver com pleito nenhum do PMDB', diz Michel Temer durante reunião em SP

Anne Warth, da Agência Estado,

23 de maio de 2009 | 18h44

O presidente nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer (SP), negou neste sábado, 23, que o partido esteja pressionando o governo para obter a diretoria de Exploração e Produção da Petrobras, conhecida também como "diretoria de pré-sal", ocupada por Guilherme Estrella, indicado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em troca do comando da CPI da Petrobrás.

Veja também:

link O que será apurado pela CPI da Petrobras

linkPMDB usa CPI para reivindicar diretoria na Petrobras

linkDilma rechaça cargos para PMDB em troca de apoio

Ao participar do Congresso Estadual do PMDB, realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo, Temer rejeitou a tese de que o partido aguarda uma decisão a respeito da diretoria da estatal para indicar os nomes dos senadores que vão integrar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, criada para investigar supostas irregularidades na estatal. "É inteiramente falso. A CPI não tem absolutamente nada a ver com pleito nenhum do PMDB. O partido não está postulando e não quer nenhuma vaga, pois já está compensado no governo."

Temer citou que o PMDB já ocupa seis ministérios e possui cargos importantes na administração direta e indireta. "Não há absolutamente pleito nenhum", reiterou. O deputado, ao falar sobre a CPI, declarou que o PMDB deve ocupar a presidência ou a relatoria da comissão por ter a maior bancada no Senado. "A orientação é fazer uma coisa muito séria, não algo de natureza meramente política. Como maior partido, o PMDB terá a presidência ou a relatoria. Não porque queira, mas porque o regimento do Senado determina", explicou.

Temer disse não ter certeza sobre qual será o nome do partido para o cargo de presidente ou relator. "Ouço dizer que será o Romero Jucá", disse, referindo-se ao líder do governo no Senado.

Já o presidente estadual do PMDB, o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, disse que uma negociação nos termos que vem sendo noticiada, de troca de apoio numa CPI pela Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras, "não está na cartilha do partido". "Eu acho que, se isso for verdade, é ruim para o partido. O PMDB precisa mudar", disse o ex-governador.

2010

Temer, que fará uma palestra sobre reforma política no congresso estadual do partido, destacou que a posição do PMDB nas eleições presidenciais de 2010 será definida apenas em convenção nacional. Foi uma resposta indireta a Quércia, que é contra uma aliança com o PT. Quércia defende que a legenda apoie o atual governador paulista José Serra (PSDB) para a Presidência da República em 2010.

"Nós aqui em São Paulo temos uma definição. Temos restrições imensas ao governo do PT nacional e gostaríamos imensamente que tivéssemos candidatura própria. Como isso é muito difícil, e não queremos apoiar a continuidade do PT no governo, queremos mudanças e entendemos que essa mudança vem a ser a candidatura de Serra pelo PSDB", defendeu.

Quércia ressaltou que essa é uma tendência do partido nos Estados. "Dentro do PMDB, a situação é muito diferente daquilo que se fala, Temos os deputados e senadores, que não muito importantes, é claro, mas não são só eles que manobram o PMDB", afirmou.

Temer disse que pretende ouvir o partido. "Sou presidente do PMDB há muito tempo e sempre decidimos em convenção nacional. É a convenção que decide o rumo que tomamos."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.