PMDB não deixará governo menos técnico, diz Dirceu

O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse hoje que não há risco da máquina pública ficar menos técnica e mais política, com a entrega de cargos do segundo escalão do governo para o PMDB, partido que integra a base aliada. "A máquina do governo e os órgãos públicos não mudam a sua política econômica porque um partido venha a participar da administração", disse o ministro. "Estamos em um regime presidencialista em que o partido do presidente não tem maioria no Congresso. É uma coalizão. Os partidos participam da gestão do governo com legitimidade. Os seus membros foram eleitos e têm representação", acrescentou. "O programa do governo continuará a ser seguido, até porque esses partidos apóiam o programa", disse.José Dirceu disse ainda que o governo está empenhado em tornar mais eficiente a máquina pública e que o momento é de investir e retomar o crescimento. "Todos os problemas (sociais) diminuirão na ordem de 50% se o Brasil voltar a crescer", afirmou o ministro. "O Brasil está preparado para crescer. Agora, existe um tempo econômico e um tempo político e social. Precisamos adequar esses dois tempos. Essa é a arte da política", disse.Ele destacou que o Brasil voltou a ter credibilidade no exterior, que o governo diminuiu os juros e está reorganizando a dívida pública da União de R$ 1 trilhão. O ministro destacou que o governo brasileiro manterá o rigor na aplicação das leis e continuará dialogando na busca de soluções para as questões sociais. "O desemprego é grande e os problemas sociais são graves. Há um esforço do governo federal de atacar esses problemas", disse. Dirceu lembrou que só na área de saúde o governo aumentou em R$ 6 bilhões o valor dos investimentos previstos no orçamento deste ano em relação ao ano passado. "Temos de olhar o futuro com esperança". "Os problemas sociais são naturais, mas precisam ser tratados de acordo com a lei. Num estado democrático de direito todos têm o direito de reivindicar", disse.ParalisiaO ministro-chefe da Casa Civil rebateu as críticas da oposição de que o governo está paralisado. Dirceu defendeu a instalação de grupos de trabalho para discutir questões de vários setores. "O governo tem funcionado com grupos de trabalho e, ao contrário do que a oposição diz, isso tornou viável questões que estavam há oito ou doze anos no Congresso", disse o ministro. Ele citou como exemplo o projeto da Lei de Falências, que será votado nesta semana pelo Congresso, o processo de inovação tecnológica que ainda será enviado ao Legislativo e o projeto de regulamentação do setor de saneamento, que poderá ser enviado ao Congresso em maio. O ministro disse que para tornar mais eficiente a máquina, o governo está empenhado também em economizar em passagens aéreas e combater o desperdício e a corrupção. Essas medidas, segundo ele aumentarão os recursos nas áreas de saúde, educação, programas de transferência de renda e reforma agrária. "Nós estamos num esforço grande para tornar a administração pública mais eficiente", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.