''PMDB não decide nomes por votação''

Osmar Serraglio: deputado (PMDB-PR)

Brasília, O Estadao de S.Paulo

07 de janeiro de 2009 | 00h00

Candidato dissidente do PMDB à presidência da Câmara, o deputado Osmar Serraglio (PR) afirma que tentará derrotar Michel Temer (PMDB-SP) com o argumento de que, como presidente de um partido que será importante na sucessão presidencial, ele não poderia ser também o presidente da Casa."Acaba perdendo a imparcialidade que deve ter o presidente, por envolvimento no processo da sucessão do presidente Lula", afirma Serraglio. Para ele, a escolha de Temer foi imposta ao PMDB, porque não passou por uma votação, mas por uma coleta de assinaturas cujo método considera falho. Ele diz que tem a experiência da eleição passada, quando foi candidato dissidente e venceu.Por que o senhor decidiu ser um candidato dissidente?Para denunciar o método do PMDB de fazer as escolhas. Não há nenhuma votação. Saem à coleta de assinaturas e pegam um por um. Aí, avisam que pegaram as assinaturas de todo mundo. Anunciam que já têm um número muito grande e não têm. A grande massa não entende o que está acontecendo. O senhor se considera com chances de vitória?São as mesmas que tinha quando me candidatei a primeiro-secretário, contra o candidato oficial, que era o deputado Wilson Santiago (PB). Disputei e venci. Estou mandando uma carta para todos os deputados, chamando a atenção para dois fatos. Historicamente, temos sempre acima de 40% de renovação, um índice completamente diferente do de outros países. Por que acontece isso? Por causa dos conchavos, dos acertinhos de ocasião. Aviso que 230 de nós não voltarão. Em segundo lugar, lembro que, depois da eleição, imediatamente será deflagrado o processo de sucessão presidencial. E como é que ficam os parlamentares? Vamos assistir a tudo de braços cruzados, sem tomar nenhuma atitude? Lembro que o Temer, se eleito presidente da Câmara, vai conduzir também a decisão dentro do PMDB. Não terá imparcialidade.O senhor acha que vira os votos assim?Quero chamar a atenção para o fato de que estamos levando a Casa para uma briga política sem sentido. O presidente da Câmara não pode ter uma definição partidária que leve o partido para uma determinada situação. Se a opção for a Dilma Rousseff (PT), como é que ficam os partidos de oposição que participaram da chapa? J.D.

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