PMDB mostra união também contra Dilma

Depois de apoio unânime no salário mínimo, sigla se rebela e não segue orientação do governo no Código Florestal

Eugênia Lopes e Denise Madueño, de O Estado de S. Paulo

25 de maio de 2011 | 23h12

BRASÍLIA - O Código Florestal mostrou o poder de fogo do PMDB no Congresso. A votação praticamente unânime do partido contra a orientação da presidente Dilma Rousseff foi um recado claro para o governo: o PMDB tem seus próprios interesses, é parceiro e não aceita ser tratado como "empregado" do Palácio do Planalto. A rebelião peemedebista já se transferiu para o Senado.

 

Depois de derrotar o governo e o PT na Câmara, o PMDB do Senado decidiu enfrentar o Planalto e vai indicar o senador Luiz Henrique (PMDB-SC) para relatar o Código Florestal em duas comissões e no plenário da Casa. Ex-governador de Santa Catarina e considerado alinhado com os ruralistas, Luiz Henrique anunciou ser favorável à emenda aprovada na Câmara que concede anistia a quem desmatou Áreas de Preservação Permanente (APPs) às margens dos rios e encostas até 2008, contrariando posição do governo.

 

A proposta foi apresentada pelo PMDB e apoiada pela maioria dos partidos aliados e de oposição na Câmara. Dilma considerou a emenda uma "vergonha", segundo informou o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Mesmo assim, a base aliada não se intimidou: dos 273 votos favoráveis à emenda, 184 foram dados por deputados governistas. O PMDB votou em peso contra o governo, enquanto o PT ficou ao lado do Planalto.

 

A votação do Código Florestal mostrou, que apesar de numericamente forte, a base de Dilma a abandonou. De nada adiantou ela procurar os governadores e acionar os ministros para tentar convencer os deputados a votar com o governo. Em seu discurso, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que os ministros não deveriam interferir na votação do projeto: "Antes de serem ministros, são companheiros de partido. Não constranjam a minha bancada."

 

Com seu discurso, o líder se cacifou como principal candidato à presidência da Câmara, em 2013, além de mandar o recado de que o PMDB não se curvará automaticamente ao governo. Foi o próprio Henrique Alves que na votação do salário mínimo subiu à tribuna para garantir que todos os votos seriam a favor do Planalto. Na época, alertou que a unidade do partido poderia ser usada contra o governo - como nesta quarta-feira, 25, em que 98,63% da bancada votou contra a orientação de Dilma.

 

O processo de votação teve ainda como efeito colateral o enfraquecimento dos interlocutores de Dilma no Congresso. Vaccarezza se indispôs com a base e não conseguiu derrubar a emenda do PMDB que dá anistia aos desmatadores. Já o líder do PT, Paulo Teixeira (SP), mostrou-se fraco e sem controle da bancada.

 

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