PMDB monta superbloco para ter mais poder na Câmara

Bloco supera em número o tamanho da bancada do PT; José Eduardo Dutra considera 'legítima e natural' a formação de blocos entre os partidos aliados no Congresso

Denise Madueño e Andrea Jubé Vianna, Agência Estado

16 de novembro de 2010 | 16h10

Em meio à disputa pelo comando da Câmara dos Deputados e em busca de espaço no futuro governo Dilma Rousseff, o PMDB montou uma ofensiva na Câmara formando um superbloco parlamentar, com cinco partidos, que reunirá 202 deputados. Os líderes do PMDB, PR,PP, PTB e PSC concluíram hoje uma reunião e anunciaram a formação do bloco.

 

Com isso, o bloco supera em número o tamanho da bancada do PT, que elegeu 88 deputados, e que tinha a prerrogativa de reivindicar a presidência da Casa. "Este bloco não é para confrontar, é para organizar o trabalho nesta Casa e fora dela, na composição do governo", disse o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), candidato à presidência da Câmara.

 

O superbloco do PMDB reúne quase a maioria dos 513 parlamentares da Câmara, o que vai obrigar a presidente Dilma a negociar com eles para aprovar projetos de seu interesse e reformas constitucionais. O PMDB e o PT concordam em dividir os dois períodos da presidência da Câmara, primeiro e segundo biênio da legislatura que começará no dia 1º de fevereiro de 2011. O PT, no entanto, quer incluir esse revezamento também no Senado, em que o PMDB tem a maior bancada e o PT a segunda. O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), já disse que não concorda que o acordo do revezamento se estenda à Casa.

 

O bloco é considerado como uma única bancada para efeito de distribuição dos cargos da mesa diretora da Câmara e as presidências das comissões. As maiores bancadas têm mais força também para assumir relatorias de projetos importantes e em comissões especiais.

 

Reação petista

 

O presidente do PT e coordenador do governo de transição, José Eduardo Dutra, considerou há pouco legítima e natural a formação de blocos entre os partidos aliados no Congresso. A observação foi feita por Dutra ao comentar a ofensiva do PMDB que montou na Câmara um superbloco parlamentar com cinco partidos, reunindo 202 deputados. "O governo vai trabalhar pela unidade dos partidos da base", disse Dutra. Isso não significa, segundo ele, que essa força se repita no Executivo.

 

Dutra esteve reunido por cerca de três horas com o ex-ministro Antonio Palocci e com o deputado José Eduardo Cardozo, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e, ao final do encontro, confirmou que entregou à presidente eleita Dilma Rousseff um resumo por escrito das reivindicações dos partidos aliados. Segundo ele, a maioria dos partidos deseja manter o mesmo status no governo e, se possível, ampliá-lo.

 

Ele acrescentou que o PMDB, principal aliado, não apresentou nomes de ministeriáveis. Mas admitiu que o PR pediu a recondução do seu presidente, o senador Alfredo Nascimento, ao ministério dos Transportes.

 

Na reunião de hoje, foi traçado um cronograma para a realização de seminários sobre temas de interesse do governo de transição: erradicação da miséria, saúde e segurança pública. O primeiro debate deve acontecer na próxima quinta-feira, no CCBB, com a participação de especialistas do Ipea e da Fundação Getúlio Vargas.

 

Atualizado às 16h56

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