PMDB-MG quer lançar réu do mensalão para governador

A nomeação do deputado federal Antônio Andrade (PMDB-MG) para o Ministério da Agricultura pela presidente Dilma Rousseff não foi suficiente para apaziguar o apetite peemedebista em Minas Gerais. Em reunião nesta segunda-feira para a passagem da presidência do diretório mineiro da legenda para o também deputado federal Saraiva Felipe, a executiva estadual do PMDB confirmou a intenção de lançar o senador Clésio Andrade (MG) para disputar o governo de Minas em 2014.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

25 de março de 2013 | 17h48

Nos bastidores, o PT tenta articular a adesão do PMDB a uma provável candidatura do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) para o governo mineiro no ano que vem. E a direção petista já dava como certa a aliança com a nomeação de Andrade. "O PMDB ainda pode indicar o vice e o candidato ao Senado", observou um aliado de Pimentel. Ele lembrou ainda que, em nome da aliança com os peemedebistas em torno da eleição de Dilma em 2010, o PT já "abriu mão" da cabeça de chapa na disputa estadual em favor do então ministro Hélio Costa (PMDB), derrotado em primeiro turno pelo governador Antonio Anastasia (PSDB).

Mas a executiva estadual do PMDB considera que a nomeação de Andrade para o ministério foi uma "recompensa" pelo partido ter retirado a candidatura do deputado federal Leonardo Quintão à prefeitura de Belo Horizonte no ano passado. Após o PT rachar com o PSB na capital mineira, o peemedebista desistiu da disputa e aderiu à campanha do ex-ministro petista Patrus Ananias, que perdeu a eleição para o prefeito socialista Marcio Lacerda.

E a decisão de manter a pré-candidatura tem apoio do próprio Clésio, que disse ter ficado "muito feliz" por ser "lembrado pelos companheiros" de legenda. "Lançaram meu nome e, por eu ser um soldado do partido, estou disposto (a disputar o governo)", afirmou. E ressaltou que a nomeação de Andrade para o ministério mostra "a importância do PMDB para a presidenta". A candidatura também sempre foi defendida pelo atual ministro, que considera o senador a "maior liderança" do partido no Estado e que se declara ser a favor de mais de uma chapa da base da presidente no Estado.

Mensalão

Caso mantenha a candidatura, Clésio pode disputar o governo com pelo menos uma pendência judicial. O senador é réu no processo do chamado mensalão mineiro, que trata de um esquema de desvio de recursos de estatais em 1998 para financiar a reeleição do então governador e atual deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB), que tinha o hoje senador como candidato a vice. O processo tramita na Justiça mineira, mas, assim como no caso de Azeredo, foi desmembrado em relação a Clésio e enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) quando o peemedebista assumiu, em janeiro passado, a vaga do senador Eliseu Resende, morto no início daquele ano.

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