PMDB liga apoio a Dilma a caminho livre nos Estados

Em reunião com Lula, peemedebistas concluíram que situação é desconfortável, mas não incontornável

João Domingos, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

A aliança entre PT e PMDB que vem sendo costurada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva visa a dividir o butim federal e regional nas eleições do ano que vem. Pelos planos já traçados até agora, Lula e o PT receberiam o apoio do PMDB para a candidatura da ministra Dilma Rousseff à Presidência. Em troca, nos Estados os petistas pregariam o voto nos candidatos peemedebistas para a eleição de governador onde a situação for favorável ao parceiro."O PT tem um projeto: eleger a ministra Dilma; o PMDB topa participar desse projeto. Mas, se a prioridade é eleger a ministra, queremos respeito à nossa prioridade absoluta, que são as nossas lideranças regionais", diz o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).Na segunda-feira, com o presidente licenciado do PMDB e presidente da Câmara, Michel Temer (SP), Henrique Alves esteve com Lula, em São Paulo, para dar continuidade às negociações a respeito da coligação. Os dois mostraram ao presidente o mapa da convivência entre os dois partidos em todos os Estados. A situação é desconfortável, mas não incontornável, concluíram os três. Para tanto, Lula terá de enquadrar o PT em vários Estados, como no Rio, em que o prefeito de Nova Iguaçu, o petista Lindberg Farias, insiste em disputar com o governador Sérgio Cabral, do PMDB; ou no Ceará, em que o ministro da Previdência, José Pimentel, do PT, quer disputar o Senado.O pré-acordo no Ceará é para que os petistas apoiem o deputado Eunício Oliveira, do PMDB, na disputa para o Senado, em pagamento pelo apoio dos peemedebistas a Inácio Arruda, do PC do B, em 2006. A outra vaga, por força das questões que envolvem a política cearense, é do tucano Tasso Jereissati, que tem o apoio do governador Cid Gomes (PSB), candidato de Lula e do PMDB à reeleição. No Rio, Lula terá de afastar Lindberg; no Ceará, Pimentel. Isso não é problema. De acordo com auxiliares, o presidente topa não só essas missões, mas todas as outras em que tiver de mover o PT para fechar aliança.ENCONTROSPT e PMDB estão animados com a possibilidade de fechar mesmo a coligação. Tanto é que ficou combinado com Lula que de 15 em 15 dias Temer e Henrique Alves vão se reunir com o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), e com o líder do partido na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP). Nos encontros, vão avaliar sempre o andamento das negociações Estado por Estado, desistências e resistências, onde dá para resolver por eles mesmo e onde será preciso chamar Lula para dar um jeito na situação.No encontro de segunda-feira passada com Lula, Temer e Henrique Alves foram muito claros. Se o PT quer eleger a ministra Dilma, terá todo apoio do PMDB onde for possível, mas o partido exige a contrapartida petista a seus candidatos. Lula comentou que já tinha demonstrado o quanto luta pela coligação, ao trabalhar intensamente para livrar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), dos 11 pedidos de processo por quebra de decoro parlamentar abertos contra ele.Os dois lados concordaram que não será possível fechar 100% do PMDB a favor de Dilma, o que não é novidade, já que os peemedebistas sempre ficaram rachados em todas as eleições diretas à Presidência na fase pós-redemocratização, desde a de 1989, vencida por Fernando Collor. Naquele ano, o partido disputou a eleição com Ulysses Guimarães, mas a maioria apoiou Collor. Em 1994, o candidato foi Orestes Quércia, que ficou em quarto lugar. A partir daí, o PMDB desistiu de lançar candidato próprio.Um dos grandes problemas identificados pelos idealizadores da aliança está justamente em Quércia. Ele vai apoiar o tucano José Serra, enquanto Temer estará ao lado de Dilma, talvez até na condição de vice na chapa PT-PMDB. Também não há possibilidade de aliança no Acre, Distrito Federal, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.Na Bahia, a situação é muito difícil, visto que o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e o governador do Estado, Jaques Wagner (PT), romperam politicamente e o PMDB saiu do governo.

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