PMDB: laudo é insuficiente para incriminar ACM

Integrantes do PMDB avaliam que o laudo da perícia no sistema de votação do Senado não é suficiente para incriminar o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), acusado de ter violado o painel eletrônico durante uma sessão secreta. "Por enquanto, temos apenas hipóteses", reconheceu um senador do partido. Por causa dessa suspeita, ACM é alvo de um pedido de quebra de decoro parlamentar, o que pode levar à cassação de seu mandato. Como restaram apenas provas testemunhais - no caso, as evidências de que ACM teria uma lista de votação, segundo o procurador Luiz Francisco de Souza -, o Conselho de Ética vai aprofundar as investigações do painel com base no relatório da Unicamp.Divulgado ontem pelo presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), o laudo da Unicamp diz que o sistema de votação do Senado é passível de ser fraudado e identificaram 18 pontos de vulnerabilidade em sua estrutura. O documento, no entanto, não comprova a suspeita de que foi retirada uma lista do sistema eletrônico com os votos da sessão secreta que aprovou a cassação de mandato do senador Luiz Estevão (PMDB-PA), em 28 de junho do ano passado. Entre as brechas citadas pelo laudo, está a possibilidade de o voto secreto ser violado mediante a cópia, em disquete, de uma relação do resultado de uma votação.O pedido de quebra de decoro está sendo analisado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. A comissão vai ouvir ainda hoje, em reunião reservada, os depoimentos dos procuradores Guilherme Schelb e Eliana Torelly sobre o caso. Os dois membros do MP são testemunhas de uma conversa com ACM em que ele teria revelado conhecer os votos da sessão secreta realizada em 28 de junho. Eles já foram ouvidos pelo Conselho de Ética em sessão aberta e não quiseram dar detalhes sobre o encontro com o pefelista.

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