PMDB insiste em presidir Senado no ano que vem

Valdir Raupp rebate declaração de Mercadante e diz ainda que espaço da sigla no governo deveria ser maior

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

06 de novembro de 2008 | 00h00

Cobrado pelo PT para abrir mão da presidência do Senado, o PMDB reagiu exigindo mais cargos e reafirmando que quer o comando da Casa. "Vai ser muito difícil o PMDB abrir mão de indicar o presidente do Senado", disse ontem o líder da bancada peemedebista, senador Valdir Raupp (RO). Ele entende que as regras regimentais e a tradição da Casa garantem o comando do Congresso ao PMDB e mais: avalia que o espaço que o partido ocupa hoje, no governo de coalizão, é menor que o tamanho e a força que a legenda conquistou nas urnas.É esta a resposta do líder peemedebista à cobrança do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) para que o PMDB apóie a candidatura do petista Tião Viana (AC) a presidente do Senado. Em entrevista ao Estado, publicada ontem, Mercadante lembrou que a bancada do PT trabalhou pela coalizão e foi generosa com os senadores do PMDB, que comandam dois ministérios e o setor elétrico, além de duas lideranças do governo. "O PT foi leal com o PMDB nos últimos seis anos e espera reciprocidade", disse o petista. "Querer que se cumpram as regras do jogo não é falta de lealdade", reagiu Raupp, ao lembrar que, no início do governo Lula, o PMDB ficou dois anos na base governista sem ter cargo. "Nem por isto fomos menos leais ao governo", rebate. Todos os partidos, acrescenta o líder, respeitam a tradição e o regimento interno que conferem à maior bancada o direito de indicar o presidente do Senado.Em defesa da candidatura Tião Viana, os petistas argumentam, ainda, que o fortalecimento do PMDB nas eleições municipais se deve também à aliança com um governo popular e bem avaliado. Raupp admite que o reforço das urnas "pode ter sido, em parte, pela inserção do partido em um governo que está dando certo". Mas pondera que o desempenho "extraordinário" nas eleições também se deve ao fato de o povo ter reconhecido a responsabilidade do partido em ajudar o governo e o País. Em defesa dos liderados que falam até em reforma ministerial para "reequilibrar a coalizão" que não reflete o fortalecimento do partido, Raupp argumenta que aliança é "uma via de mão dupla". Ele entende que, como maior partido da coalizão, o PMDB "tem que ser prestigiado" e argumenta: "Hoje, o partido ocupa um espaço menor que seu próprio tamanho".Quanto à "generosidade" da bancada petista do Senado, que a exemplo dos demais partidos aliados não tem ministério, o líder lembra que a prática de ceder espaço não é exclusividade do PT. "Nossa bancada tinha direito a indicar o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos e abriu mão para atender o próprio Mercadante, assim como também cedeu a presidência da Comissão de Constituição e Justiça ao DEM."Raupp insiste em que os senadores do PMDB não querem alimentar a disputa com o PT, nem tampouco desejam discutir sucessão agora. O líder também faz questão de destacar que a presidência do Senado não entrou no acordo de revezamento na presidência da Câmara, no qual o PT se comprometeu a apoiar a candidatura do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), a presidente da Casa. Segundo ele, até o PT reconheceu isto, quando retirou a exigência do apoio a Tião Viana para cumprir o acordo em favor de Temer.

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