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PMDB implode coalizão e governo usa cargos para tentar conter debandada

Maior bancada da Câmara e principal partido da base de apoio à presidente sacramenta seu rompimento e dá prazo para seus filiados deixarem cargos; Dilma utilizará vagas e emendas em busca de manter outros aliados e frear ameaça crescente de impeachment

Ricardo Brito, Daniel Carvalho e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2016 | 09h28

Brasília - O PMDB anunciou nesta terça-feira, 29, o rompimento com o governo da presidente Dilma Rousseff e decidiu que seus filiados terão de entregar os ministérios e os cerca de 600 cargos que ocupam no Executivo nas próximas duas semanas. A decisão do principal partido da coalizão governista, ao lado do PT, praticamente implodiu a base de apoio do Planalto na Câmara dos Deputados e fez crescer o risco do impeachment para Dilma.

O gesto do PMDB pode ser seguido a partir de hoje por outros partidos da base, como o PP. O PSD também estuda se permanecerá ou não ao lado do Palácio do Planalto. Para tentar conter a debandada, o governo decidiu intensificar a liberação de cargos e de emendas.

A saída do PMDB foi sacramentada em uma reunião da Executiva Nacional do partido na Câmara que durou menos de cinco minutos e terminou aos gritos de “fora PT”. A bancada do PMDB na Casa tem 68 deputados. Mas, por enquanto, nem todos assumiram que votarão pelo impeachment de Dilma.

Os peemedebistas aprovaram ontem em votação simbólica uma moção que recomenda a entrega imediata dos cargos de filiados ao partido para o governo. Dos 127 votantes no diretório, 105 participaram do encontro – 82% do total.

“A partir de hoje, nessa reunião histórica, o PMDB se retira da base e ninguém no País está autorizado a exercer qualquer cargo federal em nome do PMDB”, anunciou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), responsável por comandar os trabalhos como 1.º-vice-presidente do partido, sob os gritos de “Brasil para frente, Temer presidente”.

O presidente do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer, não participou do evento, assim como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Defensor do rompimento desde julho do ano passado e réu no Supremo Tribunal Federal sob acusação de corrupção, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que “o PMDB foi apenas utilizado esse tempo todo de aliança para votar as matérias que eles decidiram, nunca para participar da formulação de nada”. Ele é responsável pela condução do processo de impeachment na Casa que comanda.

A avaliação da cúpula partidária é de que a decisão de romper com a gestão Dilma – há dez anos a legenda era formalmente ligada a governos petistas – foi o primeiro passo concreto para acelerar o andamento do impeachment. Primeiro, dentro do próprio partido. A ala separatista do PMDB calcula que a bancada do partido na Câmara tem 60 votos a favor do impeachment e os outros nove contra. Já os governistas do partido dizem que 30 votos são contra o impeachment e outros 30 são instáveis e acompanharão o lado que entendem que vão ganhar.

Outros partidos. Os parlamentares do PP, legenda que tem a segunda maior bancada da Câmara e que conta com o Ministério da Integração Nacional, se reunirão hoje com o presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), para discutir um eventual rompimento.

Com isso, a cúpula do PMDB avalia que deverá aprovar até meados de abril a abertura do processo contra a petista com placar de 380 votos – o mínimo necessário são 342 dos 513 deputados. Em seguida, a intenção é, sem oposição de Renan, referendar a decisão de julgá-la no Senado no fim de maio, quando Temer já poderia começar a governar.

Para aliados de Temer, os ministros Mauro Lopes (Aviação Civil), Eduardo Braga (Minas e Energia) e Helder Barbalho (Portos) devem seguir a decisão de Henrique Eduardo Alves, ligado ao vice e que anteontem se antecipou à decisão do PMDB e pediu exoneração do cargo de ministro do Turismo.

Braga e Barbalho pediram à direção para não entregar o cargo agora a fim de concluir projetos nas respectivas pastas. Dos outros três ministros do PMDB, Kátia Abreu (Agricultura) não decidiu se ficará ou não no governo. Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Marcelo Castro (Saúde) demonstraram disposição de continuar nos cargos, mas o partido deve punir quem permanecer. / COLABORARAM ISABELA BONFIM e GUSTAVO PORTO

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