PMDB-GO expulsa Junior Friboi do partido

Estopim foi a carta em que empresário diz que Marconi Perillo 'era a melhor opção para ganhar', interpretada como apoio ao tucano 

Andreza Matais , O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 17h08

Brasília - O empresário José Batista Junior, que até 2010 era sócio da Friboi, maior frigorífico do mundo, foi expulso do PMDB por decisão do diretório regional do partido em Goiás. O conselho de ética decidiu nesta segunda-feira, por 4 votos a 2, pela saída dele da sigla. Um dos motivos foi uma carta na qual Junior Friboi, como é conhecido, afirmou que "as urnas entenderam que o Marconi era melhor para ganhar." Para os peemedebistas, a declaração significou apoio à candidatura de Perillo (PSDB) ao governo de Goiás em 2014 em detrimento do  candidato do partido, o ex-governador Iris Rezende, que terminou derrotado pela terceira vez.

A defesa do empresário afirmou que irá recorrer da decisão ao diretório nacional do PMDB.  "Prevaleceram as rixas pessoais e a ilegalidade", afirmou Felipe Melazzo, que o defendeu no processo. A Friboi é uma das maiores doadoras de campanhas eleitorais. O empresário vendeu sua participação no frigorífico em 2010 e fundou a JBJ, que atua nos ramos de agropecuária e construção civil. 

Além do apoio a candidato de outro partido, ele também foi acusado de: ser dono de uma empresa monopolista do mercado de proteína animal, causando dissabores aos pecuaristas do país; deixar de comparecer às reuniões do partido, atividades e campanhas políticas; não obedecer às deliberações partidárias; causar prejuízo ao povo goiano, já que a JBS, empresa da qual seria sócio, cometeu sonegação fiscal; praticar graves ofensas contra dirigentes partidários ou detentores de mandato eletivo; apoiar o candidato adversário e contrariar princípios básicos do programa do PMDB e praticar traição ao partido, tornar públicas divergências internas e usar pessoas como objeto, desrespeitando sua dignidade.

Sobre a filiação e a conduta da JBS, a defesa justifica que Júnior Friboi foi recebido com festa pelo partido em evento marcado pela presença dos mais destacados membros do partido, entre eles o vice-presidente da República, Michel Temer, deputados, prefeitos, vereadores e dirigentes partidários. "Meu cliente se desligou completamente das atividades da JBS em 2010, anos antes de sua filiação ao PMDB, e a empresa é estranha ao processo. Associar a gestão da empresa à sua conduta política e às normas do partido é no mínimo absurdo. Ademais, poderia uma pessoa jurídica filiar-se a um partido político? Sabemos muito bem que não", afirma Melazzo.

Quanto às acusações de ausências ou omissão dos eventos ou deliberações partidárias, a defesa questiona a ausência de provas. Conforme a defesa,  não existem declarações, imagens ou testemunhas de que Júnior Friboi pediu votos para o candidato adversário, ofendeu correligionários ou deixou de apoiar colegas partidários. "A mencionada carta em que comprovaria que meu cliente fez campanha para candidato de outro partido, só o que diz é que ele é o melhor para Goiás, conforme comprovado nas urnas, mas que seguiria apoiando seu partido, o PMDB, como de fato o fez", observa Melazzo.

 Em sua manifestação escrita, Felipe Melazzo cita que 17 prefeitos do PMDB declararam apoio ao candidato do PSDB. "Em todos esses casos nenhum filiado sofreu a sanção que o representante pleiteia para o representado, que sequer praticou os atos acima citados. Nitidamente, há um contra senso. Há dois pesos e duas medidas. O que, sabemos, não é prática aceitável por este partido de grandes feitos". / COLABOROU RUBENS SANTOS

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