PMDB garante a sindicalistas ser contra urgência para CLT

O presidente nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer (SP), garantiu na noite desta sexta-feira em encontro com sindicalistas, realizado em seu escritório político, em São Paulo, que o partido não apoiará o regime de urgência solicitado pelo governo para a tramitação da mudança da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), cuja votação está marcada para quarta-feira que vem na Câmara. ?A bancada peemedebista defende a retirada imediata da urgência desse projeto e a adoção de uma discussão mais ampla do tema, até que exista um consenso da classe trabalhadora?, afirmou. ?Caso a votação seja mantida, votaremos contra o projeto?.Segundo Temer, o líder do partido na Câmara, o deputado Geddel Vieira Lima (BA), já manteve contatos com os parlamentares do partido e a maioria apoia a tese defendida pelo partido. ? Existem algumas mudanças da CLT que são justas e que atendem ao interesse dos trabalhadores, mas o que vemos hoje é uma discordância muito grande de vários setores representativos dos trabalhadores contra o projeto e isso não pode ser aceito e nem imposto?, disse.Temer disse não saber se a união de partidos de oposição ao governo Fernando Henrique Cardoso e o PMDB será suficiente para impedir a aprovação do projeto. ?Devemos lembrar que a aprovação dessa lei depende apenas de maioria simples. O andamento da votação dependerá do quorum que teremos no dia e de que tipo de quorum estará presente?, observou, avaliando que restam dúvidas sobre o posicionamento de alguns setores de partidos como o PPB e o próprio PSDB.Ao garantir a manutenção de seu posicionamento sobre a mudança da CLT, Temer aproveitou o encontro para cobrar dos sindicalistas uma aproximação mais firme perante outros deputados. ? É preciso que vocês cumpram seu papel e procurem alguns deputados para fortalecer esse posicionamento?, cobrou. Os sindicalistas disseram que farão uma grande campanha para que pressionar os parlamentares a não aprovar o projeto. Eles também aproveitaram o encontro para solicitar de Temer a mediação de uma reunião com o líder governista na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), fato que o peemedebista se esquivou. ? O Arnaldo é uma delicadeza política fantástica. Acho que vocês deveriam procura-lo ainda hoje?, aconselhou. Após reunir-se com sindicalistas, Michel Temer afirmou ter considerado as declarações do presidente de honra do PT e pré-candidato do partido à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, como apressadas. Lula disse que o PT receberia votos de peemedebistas na eleição do ano que vem caso o partido não lançasse o atual governador de Minas Gerais, Itamar Franco, como candidato na disputa do ano que vem. ? Não acredito que os peemedebistas natos apoiem outro candidato que não o do próprio partido. As declarações de Lula foram apressadas e decorrem do fato de o Itamar ter dito que poderia apoiar a oposição de sua candidatura não se firmasse?, disse. Para Temer, o PMDB não abrirá mão da tese de lançar candidatura própria no ano que vem, independentemente de Itamar ou qualquer outro nome.

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