Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

PMDB fluminense dá sinais de afastamento de Dilma

Principal aliado da presidente no partido de Temer, diretório estadual do Rio vai defender fortalecimento de Temer e tese de que a sigla ‘tem quadros’ para um eventual novo governo

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2016 | 14h31

Rio de Janeiro - Principal aliado de Dilma Rousseff no PMDB até agora, o diretório do Rio de Janeiro não vai se juntar à corrente que prega independência do partido em relação ao governo, na convenção nacional do partido, mas dará sinais de afastamento da presidente com a tese de que o vice-presidente Michel Temer é a pessoa capaz de tirar o País da crise. A ideia é reforçar a unidade do PMDB em torno de Temer e mostrar que o partido “tem quadros” para um possível novo governo.

“Haverá propostas de afastamento do governo, de independência, mas não estaremos nessa linha, não vamos avançar por aí. Nossa proposta é fortalecer Temer e a unidade partidária. As soluções se darão naturalmente dentro do processo social. As soluções vão amadurecendo e o que tiver que ocorrer vai ocorrer”, diz o presidente do PMDB-RJ, Jorge Picciani, pai do líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani.

Pai e filho, que apoiaram o tucano Aécio Neves na disputa presidencial, vinham repetindo o discurso de que a vitória de Dilma nas urnas tinha que ser respeitada e que as chamadas pedaladas fiscais – argumento para o processo de impeachment aberto na Câmara – não configuravam crime de responsabilidade. Portanto, não justificariam a saída da presidente do cargo. Com o agravamento da crise, depois de tornada pública parte da delação do senador Delcídio Amaral (MS), ex-líder do governo no Senado, que ficou três meses preso na Operação Lava Jato, os Picciani se voltam para o discurso de que só o PMDB é capaz de tirar o país do abismo.

“Em momentos de grandes dissenções do País, o PMDB teve papel fundamental. Vamos ajudar o País a sair da crise fortalecendo a posição de Michel Temer, o plano do partido de botar o País no trilho e manter os avanços sociais. Isso não se faz sem ajuste fiscal. Temer é conciliador, tem trânsito no Legislativo e diálogo com amplos setores da sociedade”, diz Picciani.

Entre os que seguem a linha de que o descolamento PMDB do governo será natural e não precisa de documento aprovado em convenção, a tese é que há uma insatisfação crescente na sociedade, entre trabalhadores e empresários, ricos e pobres, com o crescimento do desemprego, a indústria frágil, dúvidas sobre o futuro das políticas sociais.

Aliados de Dilma no PMDB acreditam que novas delações podem fragilizar ainda mais a presidente e seu principal fiador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que dará nova força ao processo de impeachment. Na hipótese de o vice assumir, peemedebistas têm expectativa de que o Temer reúna as lideranças políticas para propor um governo suprapartidário, com redução drástica de ministérios. Alguns defendem inclusive que Temer anuncie que não tem intenção de disputar a reeleição em 2018, como forma de atrair os partidos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.