PMDB filia Skaf, prepara Chalita e usa SP como exemplo da disputa com PT

Cúpula do partido, incluindo o vice-presidente, Michel Temer, e o presidente do Senado, José Sarney, prestigiou festa do ingresso do presidente da Fiesp na sigla

Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - O PMDB deu nesta quarta-feira, 11, em Brasília, a largada oficial à montagem dos palanques municipais para disputar, com o PT, as prefeituras de capitais, cidades estratégicas e pequenos municípios Brasil afora. Foi mirando este objetivo que as principais lideranças nacionais do partido prestigiaram a cerimônia de filiação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, anunciando que ele ingressa na legenda para fortalecer o projeto da candidatura do deputado Gabriel Chalita para prefeito de São Paulo em 2012.

 

 

O vice-presidente da República, Michel Temer, bem que tentou dissipar o clima antecipado de disputa entre os principais aliados no loteamento da Esplanada. "Tudo o que faremos nas eleições municipais e estaduais será levando em conta esta aliança indestrutível", discursou sob aplausos gerais. Em seguida, no entanto, o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), explicava a uma pequena roda que o projeto eleitoral do PMDB independe da aliança nacional, como mostrou o Estado no último sábado. "Nosso objetivo é fortalecer o partido, lançando candidatos no maior número possível de cidades."

 

Na semana passada, Skaf reuniu-se com a cúpula do PMDB na residência oficial do vice-presidente. Foi quando ficou acertado que ele pode esperar 2014, porque tem mais quatro anos à frente da Fiesp. "O PMDB é muito grande, tem muitas oportunidades e todos querem colaborar. Skaf é um nome que pode ser preparado para disputar o governo do Estado", resumiu Temer.

 

Depois dos aplausos do discurso, ele explicou em conversas reservadas que parceria não significa abrir mão de lançar candidatos, mas sim de acertar com o PT como será esta convivência em tempos de campanha eleitoral. E confirmou que Raupp está trabalhando muito para que o PMDB possa manter o status de maior partido em número de prefeitos (1.200) e vereadores (4.600).

 

Temer e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) não só compareceram à cerimônia como assinaram o documento abonando a ficha de Skaf.

 

Marta. Diante das presenças dos senadores José Pimentel (PT-CE) e Marta Suplicy (PT-SP), esta também cotada para disputar a Prefeitura, Temer saudou os petistas como "parceiros de agora e no futuro". Mas a avaliação geral é a de que o esforço em favor de uma chapa única não terá sucesso. Marta, que já se articula para a disputa, sonha em levar o PMDB para a vice.

 

"Acho que ninguém quer ser o vice", avalia Chalita, que se apressou em ressaltar que, ao contrário do PMDB que já está fechado com ele, o PT ainda não tem candidato oficial à Prefeitura. "A Marta veio aqui nos prestigiar e vai à minha festa de filiação em São Paulo, mas acho que ela gostaria de ter nosso apoio. Só que apoiar o PT está descartado. Nós queremos apoio", disse Chalita, convencido de que o acerto poderá se dar no segundo turno.

 

Pelo País. Peemedebistas de Norte a Sul já ensaiam um enfrentamento com o PT. Nos bastidores, se queixam de que os petistas só querem acordo para serem apoiados, jamais para ceder espaço a candidaturas de aliados. Tanto é assim, argumentam, que em Fortaleza já são quatro pré-candidatos do PT. Até na pequena Macapá (AP), três petistas disputam nos bastidores a candidatura à prefeito.

 

Em Vitória, setores do PMDB articulam a candidatura do ex-governador Paulo Hartung. A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, pode se candidatar pelo PT.

 

Disputa com PSB. Depois da festa de filiação de Gabriel Chalita ao PMDB, marcada para 4 de junho, virá a guerra por seu mandato. Chalita diz que sai sem ter o que agradecer. "Sofri muito no PSB", afirmou, convencido de que terá argumento para se defender de um eventual processo de perda de mandato.

 

Mas não é o que pensa o PSB. Como a regra da fidelidade partidária estabelece que o mandato pertence ao partido, e não ao deputado, dirigentes dizem que é "inevitável" o partido pedir o mandato de Chalita de volta.

 

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), pondera e diz que a preocupação do partido hoje é dar "toda a ênfase" à filiação de Chalita, com um ato político à altura do deputado eleito com 560 mil votos.

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