PMDB fecha com Kassab; Quércia defende apoio a Serra em 2010

Destacado em discursos no ato que oficializou aliança, tucano diz que aceita manifestação do peemedebista

Clarissa Oliveira e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2008 | 00h00

Antes mesmo de iniciada a campanha eleitoral deste ano, o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) uniram-se ontem para dar um impulso ao governador de São Paulo, José Serra (PSDB), em suas pretensões de chegar em 2010 ao Palácio do Planalto. No mesmo ato em que PMDB e DEM sacramentaram uma aliança para reeleger Kassab em outubro, Quércia defendeu abertamente a tese de que seu partido endosse o nome do governador tucano para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.A chapa ideal para 2010, na visão de ambos, passaria pela desistência do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) de disputar a prefeitura em outubro, deixando o caminho livre para Kassab. Restaria ao ex-governador tentar uma volta ao Palácio dos Bandeirantes. Quércia, já definido como candidato da aliança DEM-PMDB para o Senado em 2010, não quis derrubar a hipótese da candidatura própria de sua sigla à Presidência. Mas, sem dar atenção à presença do PMDB na base do presidente Lula, disse optar por Serra no caso de uma aliança. "Tenho uma luta antiga no sentido de que o PMDB sempre tem de ter candidato a presidente. Esse é o pressuposto do PMDB. Se o PMDB não tiver candidato, o Serra é uma alternativa. Já foi o candidato do PMDB. Por que não?", indagou Quércia, em referência ao apoio dado à candidatura do tucano na eleição de 2002.Primeiro provocado por jornalistas, depois no discurso que fez a membros do PMDB e do DEM que participaram do evento de ontem, Quércia também deixou clara sua opção por Serra numa eventual disputa com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). Para justificar a posição, brincou com o fato de o vice-presidente José Alencar ter dito que gostaria de ver um mineiro assumir a cadeira de Lula. "Outro dia, nós vimos lá o nosso vice-presidente falar: ?Minas Gerais, faz 50 anos que não tem um presidente, né.? São Paulo faz 100. São Paulo faz 100 anos que não tem um presidente, porque o último presidente nascido em São Paulo foi o Rodrigues Alves", disse Quércia. "É que São Paulo é cosmopolita, São Paulo é a maior cidade nordestina do Brasil. São Paulo é Brasil."SAÍDAKassab aproveitou uma deixa de Quércia e defendeu a postulação de Alckmin ao governo paulista em 2010 como saída para manter a aliança entre DEM e PSDB em São Paulo. "A vinda do PMDB nos dá condições de mostrar ao PSDB que essa aliança fortalecida é um argumento a mais para mostrar a viabilidade da eleição do Geraldo Alckmin governador", disse o prefeito. Além de contar com o apoio do próprio Serra, a tese é endossada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Kassab apontou a opção como o "melhor caminho para São Paulo". "É a nossa eleição na prefeitura e a eleição de Geraldo Alckmin governador." Disse ainda que a estratégia da aliança DEM-PMDB agora será convencer os tucanos a integrar o projeto. "É evidente que quando o PMDB decide que Kassab será seu candidato, nós vamos juntos mostrar ao PSDB que ele precisa estar junto nessa aliança, para que seja mantida a administração em São Paulo e no governo do Estado após o governo Serra."Em todo o discurso, Kassab mostrou cautela em relação a Alckmin. "Seria uma falta de respeito minha dizer numa conversa com um aliado, que é o PSDB, que nós queremos ou isso ou isso." Mas deixou claro que o espaço do PSDB na aliança com o PMDB estaria restrito ao posto de vice. Ao defender seu nome para a cabeça de chapa, o prefeito disse que não se trata de "uma imposição, mas uma questão natural". "E vamos trabalhar para que essa naturalidade prevaleça." Kassab admitiu que o evento de anúncio da aliança DEM-PMDB era uma oficialização de sua postulação à reeleição. "Nosso objetivo aqui é falar sim de uma candidatura, a candidatura do Kassab." Mas reiterou que continua empenhado em garantir a parceria com o PSDB.Indagado sobre o apoio declarado por Quércia, Serra disse aceitar a manifestação favorável. "Se alguém diz que vai indicar seu nome para presidente, eu aceito. Mas ainda é muito cedo para discutir essa questão eleitoral", afirmou Serra, que participou de uma cerimônia para o reconhecimento de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPTN) pela Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado. "Fui eleito para ser governador de São Paulo, não para ser candidato. Acho que 2010 ainda está muito distante, mas qualquer observação favorável a mim eu sempre acho muito bom." INFLUÊNCIA As declarações de Quércia e Kassab ajudaram a dar peso à tese de que a força política de Serra foi crucial para o acerto entre o DEM e o PMDB. O governador evitou comentar a aliança, mas seu nome ganhou destaque nos discursos do ato que oficializou o acordo. O prefeito, por exemplo, empenhou-se em dizer que se orgulha de suceder o agora governador e referiu-se sucessivamente a seu governo como a "administração Serra-Kassab". O governo de Serra foi incluído até mesmo nas conversas sobre a possibilidade de participação imediata do PMDB na gestão comandada pelo DEM e pelo PSDB. Questionado, Kassab confirmou que a aliança pressupõe a participação na administração. A tese vale, segundo ele, para o governo estadual. "É natural que, quando estamos juntos numa aliança, qualquer substituição, qualquer indicação sejam discutidas entre os aliados."COLABOROU ANNE WARTH

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