PMDB faz exigência e Dilma cancela anúncio parcial de ministros do partido

Apesar da expectativa, somente três futuros ministros - Palocci, Gilberto Carvalho e Cardozo - foram confirmados nesta sexta pela equipe de transição

Eugênia Lopes e Denise Madueño / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2010 | 22h08

A insatisfação do PMDB com os rumos da composição ministerial impediu que a presidente eleita, Dilma Rousseff, anunciasse nesta sexta-feira, 3, peemedebistas que farão parte de seu governo. Diante da rebelião do PMDB, a presidente eleita formalizou apenas os integrantes da "cozinha do Palácio do Planalto" , deixando para a semana que vem o anúncio em bloco dos nomes de todos os peemedebistas que vão integrar o primeiro escalão.

 

Inicialmente, Dilma pretendia formalizar nesta sexta os nomes dos peemedebistas Edison Lobão (MA) na pasta de Minas e Energia e a manutenção de Wagner Rossi no Ministério da Agricultura. O PMDB reagiu ao anúncio a conta-gotas. O receio dos peemedebistas é que a formalização de apenas dois nomes da legenda no futuro governo acabasse enfraquecendo o partido nas negociações futuras.

 

A presidente eleita confirmou oficialmente ontem só a indicação de Antonio Palocci (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e José Eduardo Martins Cardozo (Justiça). O nome de Alexandre Padilha na pasta de Relações Institucionais deveria ter sido ratificado, mas saiu da lista de confirmados no último momento.

 

A expectativa é que Dilma consiga fechar o xadrez ministerial com os partidos aliados até meados da semana que vem.

 

Após 34 dias da eleição, Dilma enfrenta dificuldades em montar seu ministério. Além do PMDB, o PSB quer aumentar sua cota. O governador de Pernambuco e presidente do partido, Eduardo Campos, já garantiu a pasta da Integração Nacional. O PSB poderia levar o Turismo, mas ontem o ministério passou a ser cotado para o PMDB.

 

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), observou que o partido espera ganhar outros dois ministérios para compensar a perda da Integração Nacional e das Comunicações, que ficará provavelmente com Paulo Bernardo (PT), hoje titular do Planejamento.

 

"A diferença agora é essa: o PMDB se preocupa com o conjunto do futuro ministério. Não briga mais", disse Alves.

 

Madrugada. A decisão de brecar o anúncio de fragmentado dos ministérios do PMDB foi acertada na madruga de ontem em reunião entre o futuro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, o vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP), e os líderes do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), e na Câmara. Os peemedebistas avaliaram que como só uma parte do PMDB seria contemplada agora, o restante perderia "poder de fogo" para negociar mais espaço no governo.

 

O PMDB reivindica cinco ministérios: dois com indicação da bancada da Câmara e outros dois com os titulares escolhidos por senadores. O quinto ministério seria uma indicação de Temer. O seu candidato é o ex-governador do Rio Moreira Franco. Nessa contabilidade não entra o peemedebista Nelson Jobim, da Defesa, considerado da cota pessoal de Dilma.

 

Além de Minas e Energia e da pasta da Agricultura, o PMDB ontem era cotado para o Turismo e a Previdência. A ideia é que a pasta do Turismo fique com o deputado Mendes Ribeiro (RS). Sua eventual nomeação permitirá o retorno à Câmara do deputado Eliseu Padilha (RS), que ficou com a primeira suplência.

 

O Ministério da Previdência deverá sair das mãos do PT e ir para o PMDB com a nomeação de Moreira Franco. Nesse caso, o PMDB do Senado pleiteia outra pasta.

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