PMDB exige participação política e novas regras para distribuir cargos

Cúpula do partido decide que reivindicações a Dilma Rousseff serão apresentadas em conjunto

Christiane Samarco, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2011 | 23h00

Dirigentes do PMDB e seus principais ministros decidiram se unir para cobrar da presidente Dilma Rousseff o que, afirmam, lhes é devido na condição de "sócios da vitória": a montagem de um protocolo de divisão mais igualitária do poder com o PT, respeito aos espaços do partido e assento nos conselhos que definem os rumos políticos e as medidas do governo. A decisão foi tomada em jantar na noite da última terça-feira, 4, da cúpula do PMDB na casa da governadora Roseana Sarney (MA) em Brasília.

 

A cúpula peemedebista não aceita ficar de fora das reuniões do núcleo do poder no Palácio do Planalto, o que já estava avisado desde a campanha presidencial. Avalia que é hora de demonstrar unidade, não só para garantir presença em todos os conselhos políticos de Dilma, como para evitar que petistas ocupem ministérios do PMDB, avançando sobre posições da legenda no segundo escalão federal.

 

Orientado em boa parte pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que abriu o debate durante o jantar, sobre o tamanho da representação do partido, o PMDB decidiu que não deve se desgastar tratando de cargos no varejo. A opção, sugeriu o ministro, é definir com a presidente o real status do partido no poder. "E logo", aconselhou o ministro.

 

Estavam no jantar, além de Jobim e do vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), todos os ministros peemedebistas e parlamentares da sigla,

 

Um dos convidados da governadora conta que Jobim abriu o debate lembrando os espaços que o partido ocupava no governo Lula. Tudo para observar, ao final, que o PMDB continuava "raquiticamente representado e alijado do núcleo de poder", contrariando as promessas feitas durante a campanha eleitoral.

 

O senador Sarney também deu um testemunho no mesmo sentido e o vice Michel concordou, embora ressaltando seu relacionamento pessoal com Dilma: "Ela me trata muito bem". O partido o encarregou de levar os problemas e as demandas a conhecimento da presidente.

 

A ordem é não lamentar postos já perdidos. "O que passou, passou", disse Roseana, quando um dos convidados citou as presidências da Eletrobrás e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Entre as posições que o PMDB não quer perder de forma alguma para o PT foram mencionadas a presidência da Transpetro e diretorias na Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, foi alertado de que o petista Aloizio Mercadante, na Ciência e Tecnologia, já fala que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) deveria estar no ministério dele.

 

Na saída, Temer disse que o jantar foi "apenas uma reunião social" e que o PMDB não está disputando cargos vai esperar a decisão de Dilma. "Haverá, naturalmente, uma divisão equitativa entre os partidos."

 

Em meio ao alerta geral para que todos peemedebistas tomassem cuidado com as investidas de petistas, a anfitriã Roseana e o ministro Jobim advertiram que não era bom que um ministro, sozinho, "peitasse o PT". A ideia é fugir das queixas pessoais para transformá-las em reivindicação do conjunto. Roseana pediu, ainda, mais articulação dos cinco governadores do partido.

 

Colaborou Eugênia Lopes

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