PMDB exige ministério para votar

Com descoberta de megajazida, pasta de Minas e Energia virou exigência prioritária do partido para apoiar CPMF

Christiane Samarco e João Domingos, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

16 de novembro de 2007 | 00h00

Um novo fator de desconfiança está atravessando a negociação do Palácio do Planalto com o PMDB para conseguir o maior número possível de votos a favor da prorrogação da CPMF até 2011. Depois da descoberta de Tupi, a megajazida de petróleo na Bacia de Santos, o PMDB pôs entre as exigências fundamentais para votar a favor do imposto do cheque a garantia de que manterá seus cargos no Ministério de Minas e Energia, inclusive o de ministro.Os peemedebistas avaliam que o ministério se transformou em um posto estratégico com a descoberta de Tupi. Argumentam que isso atiçou a cobiça política e levou os petistas a se mobilizarem perante o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para retomar um cargo que já foi deles - o de ministro de Minas e Energia, que pertenceu a Dilma Rousseff no primeiro mandato de Lula (2003-2006). O clima de disputa e desconfiança entre petistas e peemedebistas é crescente no Senado, especialmente no grupo do presidente licenciado Renan Calheiros (PMDB-AL) e do senador José Sarney (PMDB-AP), que apadrinhou a indicação do ex-ministro Silas Rondeau para o Ministério de Minas e Energia neste segundo mandato de Lula. Rondeau caiu no decorrer das investigações feitas pela Operação Navalha, quando ficou sob suspeita de ter recebido propina, o que a Polícia Federal ainda não provou. EMISSÁRIOSarney enviou no início desta semana um emissário ao presidente Lula para perguntar, de forma direta, se ele devolverá, ou não, ao PMDB o posto de ministro de Minas e Energia. A resposta foi curta: Lula mandou dizer que o cargo é dos peemedebistas. Mas nem assim a desconfiança acabou. O que intriga o partido até agora é o porquê de o presidente Lula ter destacado Dilma Rousseff para fazer o anúncio da descoberta da megajazida de petróleo, na semana passada, na sede da Petrobrás, no Rio. O presidente Lula comprometeu-se a renomear Rondeau, assim que sua inocência for comprovada. O grupo de Sarney gostou da demonstração de boa vontade, mas não quer ficar sujeito ao tempo da Justiça para retornar ao comando do ministério. Por isso, já trabalha junto ao governo para uma possível e definitiva substituição - um dos nomes cotados continua a ser o do senador Edison Lobão (PMDB-MA). FATOR DILMAEmbora seja "cristão novo" no PMDB, tendo se filiado ao partido no dia 16 de outubro, vindo do DEM, o nome de Lobão transita bem na bancada. Tanto é assim que foi surpreendido com um cumprimento inusitado do colega Valter Pereira (PMDB-MS): "Me deixa dar um abraço no nosso ministeriável."Setores do PMDB interpretaram a exposição da ministra da Casa Civil, durante o anúncio da descoberta da megajazida de Tupi, como um sinal de que o PT está de olho no Ministério de Minas e Energia. Avaliaram que, por considerar a pasta cada vez mais estratégica, o partido vai pressionar Lula para tomá-la dos peemedebistas.Os parlamentares do PMDB argumentam que, mesmo afastada do ministério, Dilma continua comandando toda sua estrutura, a partir da atuação do fiel aliado e ministro interino Nelson Hubner. E lembram que é do estilo Lula de governar a prática de deixar interinos nos postos de comando até que o tempo se encarregue de torná-los efetivos. O ministério teria se transformado em uma área "estratégica demais" para ser entregue ao PMDB, suspeita um dirigente do próprio partido, para quem a conta da insatisfação da bancada peemedebista no Senado pode acabar aparecendo no painel de votação da prorrogação da CPMF. O parlamentar também questiona a atuação do ministro da Justiça, Tarso Genro, no caso de Silas Rondeau, afastado do cargo por conta das denúncias de corrupção. A desconfiança dos peemedebistas é de que a Polícia Federal, sob o comando de um ministro petista, atuou politicamente no caso Rondeau, seguindo interesses do PT.

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