PMDB evita assumir compromisso com reeleição

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está fechando as negociações para incluir o PMDB no primeiro escalão federal, mas ainda não conseguiu arrancar da cúpula peemedebista a contrapartida desejada: o apoio garantido à reeleição. Depois de um ano inteiro de idas e vindas do governo que parecia disposto a vergar o maior partido do Congresso, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, ouviu ontem do presidente nacional do PMDB, Michel Temer, que o ingresso do partido no ministério Lula não implicará compromisso com a reeleição."Isto terá de ser objeto de novas conversas e acertos regionais", resumiu Temer antes de se reunir com Dirceu e a cúpula peemedebista na casa do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para tratar de ministério. "Nem no governo Fernando Henrique houve apoio automático porque no PMDB é sempre assim: todos querem candidatura própria", disse Temer. "O propósito é estender a parceria, mas há condições para que isto aconteça", concordou o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), ao destacar que será preciso muito trabalho e esforço "para que a aliança sobreviva às eleições municipais e chegue à nacional", em 2006.Participante ativo das negociações da reforma ministerial, o presidente nacional do PT, José Genoíno, diz que é desejo de seu partido estabelecer "uma relação madura" com o PMDB no governo e nas eleições de 2004, mas confirma que a reeleição não entrou no jogo. "Não vamos vincular 2006 nem com os petistas nem com os aliados agora. A ordem expressa no PT é não se falar em reeleição de Lula na campanha municipal. Em política, quando a gente põe carro adiante bois, o comboio quebra", justifica, ao confessar que o governo sabe que "o apoio à reeleição não é mecânico".Mas não é este o discurso de petistas do Congresso e do Planalto. "A base parlamentar do governo se integra a um projeto de poder que inclui a reeleição", diz, pragmático, o vice-líder governista na Câmara, deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF). Ele adianta que todos os partidos da base estão sustentando um governo que deverá se submeter à reeleição e está contando com a colaboração dos aliados. "Nada mais natural e justo que os partidos da aliança se esforcem para reeleger Lula", raciocina Sigmaringa. "Não podemos supor uma aliança automática em 2004 ou 2006, mas vamos trabalhar por isto e, com o PMDB no governo, cria-se um vínculo muito bom", completa o vice-líder petista na Câmara, deputado Paulo Bernardo (PR). Em seu Estado, o Paraná, onde o governador Roberto Requião (PMDB) apoiou Lula desde o primeiro turno e também teve o apoio do PT, não haverá dificuldades. "Aqui é bem tranqüilo porque nossa convivência é harmônica. Mas um acordo só é bom quando atende as duas partes", completa o deputado José Borba (PMDB-PR), o mais cotado para substituir Eunício Oliveira (CE) na liderança do partido, caso o líder troque a Câmara pelo comando do Ministério das Comunicações. "Nossa união é importantíssima para tomarmos a capital paranaense do PFL", resume Genoíno. Na briga pelas prefeituras, porém, a prioridade do PT é outra: começa pela reeleição da prefeita Marta Suplicy, em São Paulo, e inclui o comando de outras sete capitais que são governadas pelo partido. E o governo sabe que a parceria dará ao PT algo mais além da estabilidade política e da tão sonhada maioria confortável no Congresso, com mais 79 votos na Câmara e outros 22 de peemedebistas do Senado. Aliados ao PMDB, os petistas poderão usufruir da maior estrutura partidária do País nas eleições municipais. É isto que torna a aliança estratégica para o partido que governa hoje apenas 190 das 5.560 cidades brasileiras. "Em São Paulo, podemos caminhar juntos", diz Renan Calheiros.

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