PMDB está de olho no setor elétrico

Partido já tem Furnas e deve obter Eletrobrás, Eletronorte e Eletrosul

João Domingos e Marcelo de Moraes, O Estadao de S.Paulo

07 de outubro de 2007 | 00h00

O setor elétrico passou a ser a prioridade de interesse de grupos do PMDB nas negociações com o Palácio do Planalto pela ocupação de cargos.Depois de receber o comando de Furnas Centrais Elétricas, entregue ao ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, o PMDB articula suas indicações para o comando da Eletrobrás, da Eletronorte e da Eletrosul.Além disso, aguarda pela definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito do futuro do próprio Ministério de Minas e Energia, que era chefiado por Silas Rondeau, um indicação do senador José Sarney (PMDB-AP). Rondeau acabou perdendo o cargo depois de seu envolvimento com supostas irregularidades investigadas pela Polícia Federal durante a Operação Navalha.Ele decidiu se afastar do ministério depois que um relatório indicava a possibilidade de ele ter recebido propina de representantes da construtora Gautama para facilitar liberação de recursos para obras da empresa. Rondeau negou todas as acusações e o próprio presidente Lula planeja reconduzi-lo ao cargo, acreditando em sua inocência.FATIADentro do governo, no entanto, já está certo que os postos da Eletrobrás, da Eletronorte e da Eletrosul ficarão sob a chancela do PMDB.Para a Eletrobrás, poderão ser indicados Márcio Zimmermann ou Barne Aurelano, técnicos do setor ligados ao partido. Zimmermann chegou até a ser dado como certo para suceder Rondeau no ministério, antes de Lula planejar reconduzi-lo ao cargo.Para a Eletrosul, o PMDB vai indicar o ex-governador de Santa Catarina Paulo Afonso Vieira, que não se reelegeu para a Câmara dos Deputados. Para a Eletronorte, existe a possibilidade de ser mantido Carlos Nascimento, que foi indicado pelo deputado Jader Barbalho (PMDB-PA). Outra opção é a indicação do diretor do Detran do Pará, Lívio Assim, também da cota de Jader.ESTRATÉGIAO processo de definição dos nomeados para o setor, contudo, somente deverá se definir depois da conclusão da votação da emenda que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O governo quer evitar agora os problemas de anunciar nomeações antes da conclusão da votação e fazer com que outras bancadas não contempladas aumentem a pressão por cargos em troca do apoio à CPMF.A própria indicação de Luiz Paulo Conde para Furnas acabou saindo de um processo como esse. Relator da CPMF na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi o padrinho da indicação de Conde. Seu parecer, como era previsível, acabou sendo favorável à prorrogação da CPMF.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.