PMDB espera renúncia de Jader

O PMDB teme que, com a licença de Jader Barbalho da presidência do Senado, quem saia no lucro seja o PFL. Concretizado o afastamento, Edison Lobão, o vice-presidente, assume por até 120 dias, prazo máximo para a licença em casos como o de Jader. No caso de renúncia, haverá uma nova eleição da Mesa. E nesse caso os pefelistas tentarão eleger um peemedebista alinhado à sua cartilha. Para eles, o nome mais palatável, no PMDB, é o do senador José Sarney, eleito pelo Amapá. O PMDB tenta salvar a própria pele e trabalha pela renúncia do político paraense, para forçar nova eleição da Mesa. É consenso, dentro do partido, que a renúncia seria o caminho mais rápido para colocar um ponto final no caso. Peemedebistas importantes sustentam esse raciocínio lembrando que o licenciamento tem prazo determinado, o que reduz significativamente a margem de manobra do senador paraense. Traduzindo: se renunciar, Jader terá o resto da vida para defender-se no Supremo Tribunal Federal (STF) sem passar pelo vexame de um duro julgamento político no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. Se licenciar-se, terá apenas 120 dias para convencer a Justiça e seus pares de que é inocente, mantendo o PMDB no desgaste às vésperas de um ano eleitoral. "A licença pára o processo, mas a renúncia liquidaria tudo muito mais rápido", avalia um político da cúpula governista do partido. "A licença tem prazo marcado", acrescenta. "Há muita convicção em torno da renúncia, pois tornaria tudo mais rápido", endossa outro político influente. Está claro para os peemedebistas que um simples pedido de licença não saciará a oposição, e nem manterá o PFL "quietinho". "A licença não satisfaz mais", resume um interlocutor no partido. Novo presidenteA maior preocupação do PMDB é abreviar ao máximo a inevitável passagem de Edison Lobão (PFL-MA) pela presidência do Senado, para não dar novo fôlego ao PFL. Isso só será possível se for antecipada a eleição de uma nova Mesa para a Casa, o que lhe traria o comando de volta, de preferência com um nome indicado pela cúpula do partido. "O Lobão assume de qualquer jeito por um período, mas tanto na renúncia quanto no licenciamento haverá eleição e o cargo é do PMDB", explica um parlamentar pemedebista.Mas se este é o raciocínio do PMDB, não é o do PSDB, por exemplo. O líder do governo, senador Romero Jucá (RR) já avisou que o acordo que permitiu a eleição de Jader foi apenas para viabilizar a de Aécio Neves na Câmara. E que agora não existe nenhum compromisso obrigando o PSDB a votar em candidato do PMDB.

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