André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

PMDB e Temer estão preparados para assumir, diz líder do partido no Senado

Um dos parlamentares a integrar a defesa de Dilma no Congresso, Eunício avalia quesituação dela é crítica

Entrevista com

Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado

Ricardo Brito / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2016 | 06h52

Líder do PMDB no Senado e um dos principais aliados da presidente Dilma Rousseff, Eunício Oliveira (CE) diz que o vice-presidente Michel Temer está pronto para assumir o governo se a petista for afastada. “Se os fatos avançarem e levarem à condição de o vice Michel Temer, presidente do meu partido, ter de assumir, obviamente que ele está preparado e o partido está preparado”, disse.

Em entrevista ao Estado, Eunício Oliveira, de 63 anos, 42 dos quais filiado ao mesmo partido, ressalvou que o PMDB não está “arquitetando a derrubada do governo”. Mas disse que, embora Dilma tenha sido eleita para os quatro anos de mandato, se os fatos se apresentarem contrários à permanência dela, “paciência”. Na convenção do PMDB marcada para hoje, Temer será reconduzido à presidência do partido e Eunício permanecerá como tesoureiro. Leia a seguir a entrevista.

O PMDB decidirá na convenção deixar o governo Dilma?

O objetivo da convenção é eleger a nova direção (do PMDB). Na pauta não existe nenhum outro item que não seja isso. É possível se discutir tudo. Moções devem aparecer, mas ela não tem qualquer caráter vinculativo de decisão partidária.

Diante do agravamento da crise, uma moção de afastamento do governo deve ser aprovada?

Pode, mas não terá qualquer resultado prático final, serve de alerta. O importante é que o PMDB está preocupado com a gravidade da crise. O Brasil está derretendo, a economia se desmanchando e nós, do PMDB, temos procurado discutir não só com nossos líderes como também com os demais partidos. Eu estava agora com o presidente do DEM (senador Agripino Maia). Estamos discutindo o que fazer para retirar o Brasil do buraco, independentemente da presidenta Dilma e do PT. Não podemos perder o Brasil para a crise. Estamos entrando em recessão e, se virar depressão, se torna perigoso.

O fato de o PMDB do Senado conversar com a oposição não mostra que o partido admite uma saída política sem Dilma?

Essa pergunta me foi feita no jantar na casa do Tasso Jereissati (senador do PSDB). Vocês se uniram à oposição para derrubar o governo? Não é assim que pensamos, estamos discutindo com a oposição para salvar o Brasil. Temos um processo de impeachment em aberto. Não há que se esconder nada, fazer algo no subterfúgio. Tem a outra questão no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que é algo delicado e ainda a inquietude das pessoas nas ruas. Quem tem preocupação com o Brasil está preocupado com isso, não com a saída da presidente.

Temer está pronto para assumir a Presidência se Dilma sair?

Se os fatos avançarem e levarem à condição de o vice-presidente Michel Temer, presidente do meu partido, ter de assumir, obviamente que ele está preparado e o partido está preparado. Mas isso não quer dizer que estejamos arquitetando a derrubada do governo. Eu disse isso com todas as letras nas reuniões. Estamos lutando por uma saída política e econômica que dê condição de vida melhor para os brasileiros. Essa é a nossa função, não é tirar nem botar alguém. As questões estão todas postas na mesa, não tem o que esconder.

O PMDB votará a favor do impeachment?

Não sei. O PMDB não definiu essa questão. Tenho muito cuidado para não parecer que esse movimento que as lideranças do PMDB estão fazendo não apareça para a sociedade e para a mídia como uma trama para derrubar um governo. Estamos diante de fatos e, diante deles, temos que nos organizar, tomar nossas decisões, pensar o Brasil. Precisamos ter muita cautela, o que tem faltado em muitas pessoas e autoridades. Nós queremos assumir o poder no Brasil pela democracia e não num ato de golpe.

O PMDB do Senado deu sinais de estar chegando ao limite no apoio a Dilma.

Não vamos perder o Brasil para a crise. Esse é um propósito de um partido e de um senador que tem alguma inserção no contexto político nacional. Nós do PMDB do Senado – eu pelo menos estou dizendo – vamos esgotar tudo e todas as condições políticas e democráticas para que não tenhamos nenhum tipo de atropelo na democracia, para que o PMDB não apareça como partido oportunista ou golpista.

A presidente tem condições de governar até o fim do mandato?

Ela foi eleita para quatro anos de mandato. Agora, as circunstâncias se agravaram de tal forma que não esperávamos. Ninguém aguardava essa deterioração política, econômica e ética. Se essa junção levar a uma posição (de ela não concluir o mandato), só o tempo vai dizer.

Então, o senhor não descarta o abreviamento do mandato dela?

Ela foi eleita para quatro anos, mas, se fatos no meio do caminho se apresentarem contrários a essa manutenção, paciência.

Os fatos levam à saída dela?

A junção da questão ética – não falo da presidenta, falo do contexto –, a questão política muito grave, a crise e a questão econômica que é mais grave, é o combustível para que a sociedade se movimente numa direção contrária. Isso ninguém pode esconder ou negar.

Os protestos de amanhã podem deflagrar um processo de afastamento da presidente? O PMDB está atento a isso?

Numa democracia a população tem voz, voto e vez. Se através da movimentação pública, pacífica, não desejar um governante, é difícil você dar continuidade a esse governo. Vamos trabalhar com fatos, eles dirão qual a posição a seguir.

A ida de Lula ao governo poderia fortalecer a gestão Dilma?

Acho que vai gerar muitas especulações. Ele podia ter sido candidato em 2014. Depois, quando o governo começou a apresentar problemas, acho que talvez tivesse sido importante a participação efetiva do presidente Lula num governo da presidente Dilma.

O que achou do pedido de prisão de Lula feito pelo Ministério Público de São Paulo?

Honestamente, um exagero.

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