PMDB e PT não abrirão mão do comando da CPI, diz Múcio

Ministro da articulação política lembrou que regimento dá aos dois maiores partidos a presidência e a relatoria

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S. Paulo,

12 de fevereiro de 2008 | 16h31

O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, disse nesta terça-feira, 12, que dificilmente o PMDB e o PT abrirão mão dos cargos de presidente e relator da CPI mista dos cartões corporativos. A oposição no Senado - PSDB e DEM -ameaçou obstruir as votações caso os postos-chave da comissão fiquem nas mãos da base governista.  Veja também: Entenda a crise dos cartões corporativos Briga por comando de CPI ameaça parar SenadoGoverno indica aliados para postos da CPI dos cartões PSDB diz que não vai investigar família de Lula  Após denúncia, governo publica mudanças para cartõesEmbora tenha dito que é um problema do Congresso, o ministro não demonstrou disposição do governo em negociar com a oposição o comando da CPI. Múcio lembrou que o regimento dá aos dois maiores partidos a presidência e a relatoria da Comissão. Nesta manhã, o líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), anunciou que o presidente da CPI será o senador Neuto de Conto (PMDB-SC). Para a relatoria está cotado o deputado José Eduardo Cardoso (PT-SP). Nos dois casos, estaria respeitado o princípio da proporcionalidade em que os maiores partidos ocupam os principais cargos nas CPIs.  O ministro disse que explicou aos líderes os motivos que levaram "o governo a se antecipar em trabalhar pela formação da CPI". Segundo Múcio, houve a constatação de que a CPI no Senado era inevitável e muitos deputados aliados disseram que teriam constrangimentos se não assinassem o requerimento de criação da CPI na Câmara.  Múcio participou de almoço no Planalto com os líderes de todos os partidos na base na Câmara mais o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Ele disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou que os gastos indevidos com os cartões de crédito corporativos não tenham sido detectados antes e que os erros tenham se acumulado. A declaração de Lula foi feita na reunião da coordenação política realizada na última segunda.  Segundo Múcio, Lula elogiou a iniciativa da divulgação dos gastos na internet mas afirmou que ela precisa vir acompanhada de uma fiscalização intensa que corrija imediatamente qualquer desvio. "Poderíamos ter usado melhor a transparência e corrigido a tempo. Quando deixa o erro se acumular, o problema fica maior. Na reunião de coordenação, o grupo avaliou que poderíamos ter detectado (mais cedo) e perseguido os erros", afirmou o ministro em entrevista coletiva no Palácio do Planalto. O ministro negou que o acordo entre governo e PSDB para a formação de uma CPI mista tenha sido feito para preservar o ex e o atual presidentes da República. A comissão irá investigar também os gastos no governo de Fernando Henrique Cardoso. "A CPI chega em um bom tempo e as investigações vão acontecer. Ruim é ficar sob o signo da dúvida", disse. Texto ampliado às 16h53

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