PMDB e PT juntam forças para influir no governo Lula

O apoio do PMDB à candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara, formalizado nesta terça-feira, pode devolver ao PT o comando de uma das casas do Legislativo, que a legenda havia perdido em 2005, e recolocar o PMDB na condição de força política mais influente no Congresso. "Os dois maiores partidos da coalizão de governo chegaram a um acordo e vão cumpri-lo. A decisão fala por si", disse o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que, antes da decisão, havia trabalhado pelo apoio da legenda ao atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Cumprindo o acordo nas eleições para a Câmara e para o Senado (onde o peemedebista Renan Calheiros deve ser reeleito), PT e PMDB vão controlar a agenda do Congresso, podendo influir na composição do ministério e nas decisões de governo, com mais força que os outros partidos da coalizão. "A decisão fortalece o PMDB dentro da coalizão de governo, pois se baseia na coesão dos nossos 90 deputados", disse à Reuters o presidente do partido, Michel Temer, que também se fortaleceu politicamente no episódio. O PT vinha acumulando derrotas políticas desde que se dividiu e perdeu, para Severino Cavalcanti (PP-PE), a presidência da Câmara em fevereiro de 2005. Em seguida, o partido foi abalado pelo escândalo do mensalão, perdeu sua direção, cargos e ministérios, e teve cassado o dirigente e ex-ministro José Dirceu. Nas eleições de outubro, a bancada do PT na Câmara caiu de 90 para 81 deputados e o prestígio dos petistas no Planalto ficou ainda mais baixo com a ação dos "aloprados", presos tentando comprar um dossiê contra políticos tucanos. Revelia Arlindo Chinaglia lançou sua candidatura à revelia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (que preferia a reeleição de Aldo), mas conseguiu unificar o PT e imobilizou o presidente, atraindo o PMDB para um acordo. Aldo contou também com o apoio do PSB e do PCdoB, a ala esquerda da coalizão, e do PFL. Com a divisão nos partidos da base aliada, dirigentes peemedebistas que estavam na periferia do poder agarraram-se à proposta de Chinaglia. Ele prometeu o apoio do PT a um peemedebista para presidir a Câmara em 2009. O PMDB não ocupa o cargo desde 2001. Michel Temer apoiou o tucano Geraldo Alckmin na eleição presidencial e tinha sua legitimidade na presidência do PMDB contestada pelo grupo mais próximo de Lula. Em dezembro passado, ele se credenciou como interlocutor do PMDB na coalizão de governo e agora tem o apoio do PT para as disputas internas e a negociação com o Planalto. Já se fala em seu nome para o Ministério da Justiça. "Há muito tempo o PMDB não tomava decisões que se fizessem respeitar nem mesmo internamente. Agora, reencontramos o caminho da unidade, que vai expressar nossa força política", disse o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), outro que saiu fortalecido e também é cotado como futuro ministro. Aldo Embora a eleição do presidente da Câmara em 1º de fevereiro seja por voto secreto, é pouco provável a formação de uma dissidência pró-Aldo. Na reunião em que a bancada do PMDB decidiu apoiar o PT, Chinaglia recebeu 40 votos dos presentes, mais seis por procuração, contra 11 de Aldo e uma abstenção. "O apoio do PMDB fará com que outros partidos da coligação, como PTB, PP e PR acompanhem o movimento. A base do governo acabará se unificando por decisão das maiorias, não por negociações ou acordos", analisou o deputado Walter Pinheiro (PT-BA) Dirigentes próximos a Temer disseram que ele vai tentar convencer o atual presidente da Câmara a desistir da reeleição, com o argumento de que a candidatura ficará restrita ao apoio da oposição e da menor parte da esquerda. "A candidatura do presidente Aldo Rebelo é tão legítima quanto a do líder Arlindo Chinaglia, mas penso que o ideal para a Câmara é que tenhamos um só candidato em 1º de fevereiro", disse Michel Temer. Com reportagem de Natuza Nery, Reuters

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