Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

PMDB e PT consideram Mercadante 'desagregador' e pressionam Dilma a susbtituí-lo

Troca seria feita durante reforma administrativa anunciada pela presidente, mas governo nega a informação

O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2015 | 15h25

Atualizado às 17h33

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff está sendo pressionada pelo PMDB e pelo PT a aproveitar a reforma administrativa para substituir o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, considerado "desagregador" no trato com o Congresso. Dilma avalia há tempos a possibilidade de mexer no núcleo do governo, mas, oficialmente, o Palácio do Planalto nega a informação.

"Mercadante é um ministro que detém todo o respeito da presidenta Dilma. Ele é fundamental na articulação dos principais projetos e colabora na construção da governabilidade junto com o vice-presidente Michel Temer e com o ministro Eliseu Padilha", disse ao Estado o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva. "É uma figura central para a construção das condições de retomada do crescimento."

Temer e Padilha já se desentenderam várias vezes com Mercadante. O vice-presidente, que comanda o PMDB, deixou o "varejo" da articulação política do Palácio do Planalto, no mês passado, aborrecido com o chefe da Casa Civil. Padilha, que é titular da Aviação Civil, ainda despacha na Secretaria de Relações Institucionais, mas já anunciou que também não ficará na função.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a amigos, nos últimos dias, que perdeu a conta de quantas vezes sugeriu a Dilma a substituição de Mercadante pelo ministro da Defesa, Jaques Wagner, também do PT. Até agora, a presidente resistiu à ideia e pediu à Secretaria de Comunicação Social que desmentisse "com veemência" os rumores sobre a saída do ministro.

Apesar das negativas, petistas avaliam nos bastidores que Dilma terá de trocar Mercadante para que a crise política diminua. Tudo depende, porém, de como ficará o desenho da reforma administrativa, que extinguirá dez dos 39 ministérios, e se o perfil da Casa Civil, a partir de agora, será mais técnico ou mais político.

Além de Wagner, um dos nomes lembrados para ocupar a Casa Civil e mesmo para a Secretaria de Relações Institucionais é o do ministro de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo (PC do B). Ex-presidente da Câmara, Aldo foi chefe da Secretaria de Relações Institucionais no primeiro mandato de Lula e tem bom relacionamento com o PMDB.

Segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de S Paulo, Dilma estaria avaliando a troca de Mercadante por alguém que não seja filiado ao PT. A intenção é que o substituto tenha boa receptividade tanto na base aliada quanto na oposição, na tentativa de melhorar a governabilidade e diminuir as derrotas que o governo vem sofrendo no Congresso.

Em conversas reservadas, auxiliares de Dilma dizem que Mercadante não sairá do governo, mas é provável que seja transferido para outra pasta na reforma administrativa.


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